O Brasil figura entre os últimos colocados em ranking de rendimento escolar da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico). O estudo, feito com alunos de 64 países, aponta que mais de 1 milhão de estudantes brasileiros, por volta de 15 anos de idade, não possuem conhecimentos essenciais de matemática e ciências. Para desenvolver a pesquisa, foram analisados 2,7 milhões de estudantes brasileiros. Cerca de 70% dos alunos apresentam dificuldades em matemática básica, 50% em leitura e 55% em ciências.
Há muito tempo especialistas defendem uma completa reformulação no ensino público brasileiro, que vem registrando baixos índices em qualquer ranking global que se faça. Os estudantes brasileiros, em sua maioria, não têm o conhecimento necessário para o ciclo que frequenta. E o que é pior, um grande contingente deixa o primeiro ciclo do ensino fundamental, depois de um mínimo de quatro anos de estudo, como analfabetos funcionais, sem compreender o que está lendo, mal sabendo assinar o próprio nome e desconhecendo os princípios da matemática.
Segundo especialistas, uma escola de qualidade é de extrema importância para transmitir às crianças conhecimento e também para aprender a conviver com o outro, já que é na escola que a criança socializa, que sai da sua “bolha”. No entanto, a educação brasileira ainda precisa melhorar muito em termos acadêmicos. O plano para o ensino brasileiro apresentado pelo governo já é um primeiro passo para que o País consiga retomar a excelência que a escola pública exibia há pelo menos meio século. Mas tudo isso passa não apenas por uma modificação do currículo e das matérias obrigatórias. É necessário que haja ainda a valorização do professor e do ambiente escolar, ultimamente à mercê de vândalos e que não consegue atrair a atenção dos alunos. Muitos vão à escola por obrigação e não se interessam pelo que é ensinado. Com isso, prejudicam não apenas a sua própria formação, mas também a de seus colegas de sala.
Em alguns países, o formato de escola está mudando completamente, partindo para uma formação fora da sala de aula, incentivando o contato com a vida, com a natureza. Essa proposta de formação mais ampla é um exemplo que deveria ser seguida.
Especialistas acreditam que a escola brasileira deveria ser reformulada, tornar-se mais flexível e dividir os conteúdos das disciplinas dentro de temas pertinentes à formação de um cidadão, incluindo aí saúde e esporte. Além disso, hoje os professores muitas vezes precisam “ensinar” conteúdos complexos e com poucas aplicações no cotidiano dos alunos e isso desmotiva o estudo. A reforma do Ensino Médio já é um passo importante, mas é preciso focar a educação básica.
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