Cuidadores da Saúde


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Falo do exemplo da Califórnia porque está fundamentado, mas há outros lugares também. A notícia correu, até incomoda porque, para muitos, uma qualidade inutiliza a outra, penso que não. Utilizar a comida para fins medicamentosos não é propriamente uma novidade, há relatos sobre as propriedades nutracêuticas dos alimentos antes mesmo de Jesus Cristo. A questão chata dessa prática é que ela confronta o prazer de comer bem, comer refinado. No entanto, levar às últimas consequências a busca pelo sabor e dispensar barreiras, sejam elas culturais ou naturais, pode levar a extremos de crueldade e depredação. A outra face põe na geladeira nossa cultural alimentar.
 
Mas é o seguinte, uma associação sem fins lucrativos, pelas mãos de jovens chefs voluntários, está produzindo refeições que são distribuídas gratuitamente a pacientes de doenças crônicas, na maioria, câncer. No dia da reportagem em questão, a preparação incluía couve-flor, um tipo de peixe do Pacífico, chamado rock cod, uma espécie que vive no fundo do oceano e possui cor avermelhada, além de um caldo de vegetais enriquecido com algas marinhas, a que eles chamam de “caldo imunizador” e cuscuz. 
 
Os americanos chamam esse “prato” de “food as medicine” -  comida como remédio -, e a aloca na prateleira da vanguarda alimentar, o que é uma meia verdade. As técnicas são novas, mas o conceito e a ideia não. Comida como remédio foi debatido na Grécia da Antiguidade. Hipócrates dizia, há 2.400 anos, que somos o que são nossos intestinos. O 
Imperador Adriano, romano, achava que a maçã era um alimento perfeito, jamais se empanturrava de carnes e gorduras e deixou laudas e laudas sobre a saúde de quem era comedido à mesa e vegetariano. E por que não, as feiticeiras que por mil anos foram os médicos que o povo pobre tinha, guardavam os segredos da medicina natural e sabiam bem o que fazer com uma chicória, a beladona ou a mandrágora. 
 
No Brasil, temos um expoente dessa corrente que nada deixa a dever. O médico Alberto Peribanez é uma sumidade quando o assunto é medicina biogênica. Arrisco dizer que não tem outro como ele, pois é pesquisador e médico, por isso pode testar o que sua inteligência foi descobrindo - e foi muito!
 
Ao deixar de pensar em doenças e remédios, passou a pensar na saúde, e elaborou uma dieta que é capaz, sim, de nos manter sãos, não eternos, mas felizes.
 
Ler qualquer um dos seus livros é embarcar em uma viagem pura e bela - naquela vida imaginada, não faz pena alguma dizer adeus aos bolos, pernis, pizzas... 

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