Em pouco menos de uma década, a Black Friday - tradicional data de vendas no comércio norte-americano - se consolidou no Brasil como importante época de negócios para o varejo nacional, principalmente pelos canais online. As promoções extrapolam a sexta-feira e se estendem, em muitos casos, por todo o mês de novembro e, principalmente, pela semana do grande dia. Para os comerciantes, a Black Friday abre as vendas de fim de ano, mesmo a cerca de um mês do Natal e, inclusive, antes da data-limite para o pagamento da primeira parcela do 13º salário, o dia 30 de novembro. Neste ano, a promoção será exatamente uma semana antes, no próximo dia 23. Se em sua origem, nos Estados Unidos, a Black Friday é mais parecida com as liquidações de queima de estoque de início de ano no Brasil - cuja pioneira neste tipo de ação é a rede francana Magazine Luiza -, com foco nas lojas físicas, a tradição norte-americana foi adaptada pelos brasileiros e, aqui, sua força está principalmente nas vendas pelas plataformas online. Mas, independentemente do canal, a promoção é esperança de aquecimento do comércio.
De acordo com o site BlackFriday.com.br, a ação deste ano deve movimentar R$ 916 milhões no Estado São Paulo, apenas com as vendas eletrônicas. Franca será responsável por considerável fatia deste momento: R$ 6,5 milhões, de acordo com a mesma estimativa. A expectativa é de que o aumento nas vendas decorrentes da promoção neste ano seja de 19% em relação ao ano passado (leia texto na Página 3A). O otimismo se dá, em parte, pela recuperação da economia que, mesmo pequena, aponta para um fim de ano bem melhor que o de 2017. Apesar de a base de comparação ser bem ruim.
Números divulgados ontem pelo Banco Central já sinalizam para uma melhora no ambiente de negócios nacionais. De acordo com o levantamento, a economia brasileira cresceu 1,74% no terceiro trimestre deste ano, em relação aos três meses anteriores. O cálculo do banco é feito pelo indicador IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), e os dados são dessazonalizados, o que significa que os efeitos típicos de cada mês são retirados do número para possibilitar a comparação. A expansão ocorre após quedas de 0,15% no primeiro trimestre e de 0,79% no segundo.
O que todos esperam, desde o fornecedor de matéria-prima ao consumidor final, é que realmente o Brasil avance. Mesmo que a passos lentos, é preciso que a economia saia do fundo do poço e garanta o alicerce do círculo virtuoso que tem o consumo e a geração de emprego e renda como componentes. Que a otimista expectativa com a Black Friday se confirme e, assim, todos os brasileiros possam verdadeiramente ter um feliz Natal!
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