Com menos de 20 dias de sua eleição, o futuro presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), vai dando cara ao governo que assumirá o Executivo Nacional no dia 1º de janeiro de 2019. Estas primeiras semanas de transição estão marcadas por diversas idas e vindas do presidente eleito. Há quase três décadas no Poder Legislativo, o capitão reformado do Exército estava habituado a falar tudo o que lhe vinha à mente. Agora, como futuro mandatário do Palácio do Planalto, já se viu obrigado a recuar em diversas intenções ou, pelo menos, afirmações. Governar é diferente de legislar. Governar exige muita negociação, pressupõe-se ouvir mais e falar menos, para conseguir executar os planos de forma mais próxima de sua originalidade. Bolsonaro parece estar aprendendo essas máximas na prática. E, surpreendendo a muitos, de forma rápida. Talvez lhe falte um pouco de polidez nas palavras, mas lhe sobra coragem para ir a público e retificar o que ele mesmo havia anunciado. Não que o futuro presidente tenha deixado sua personalidade de lado nem muito menos seu projeto de governo. O que faz é justamente moldar seus objetivos ao executável.
Desde que foi confirmado como o eleito na corrida presidencial, Bolsonaro mantém a meta de reduzir o número de ministérios a 17. E a fixação pelo número não é à toa. Dezessete é o número do PSL, são os dois dígitos que mais de 50 milhões de brasileiros apertaram nas urnas eletrônicas para o elegerem. Mas até dessa meta, o presidente eleito já cogita abrir mão. Todos os desenhos feitos para o futuro governo pela equipe de transição apontam para uma redução que atinja o número mínimo de 18 pastas na Esplanada dos Ministérios. Faltará pouco, será por apenas um, mas tudo indica que o cabalístico 17 será mais um plano a ser descartado.
Entre os mais emblemáticos reposicionamentos de Bolsonaro, estão a intenção de reduzir o status da pasta do Trabalho de ministério para secretária e acabar com o Ministério de Meio Ambiente, incorporando-o à Agricultura. Ambos os anúncios foram revistos. Assim como a intenção de tirar do Ministério da Educação a responsabilidade do ensino superior, que seria transferida para o Ministério de Ciências e Tecnologia.
Nos três casos, Bolsonaro recuou após as decisões repercutirem mal. Ao, aparentemente, se preocupar com diferentes opiniões, dá mostras de que está disposto a manter um diálogo mínimo, mesmo que não explícito, com vozes discordantes. A se confirmar essas impressões, o futuro governo poderá ter êxito em seus projetos. Mas se tudo o que se apresentou até agora foram apenas titubeadas decorrentes da inexperiência de estar no comando político, o Brasil ainda testemunhará nos próximos 45 dias, até o início do novo governo, muitas “caneladas”, para usar uma palavra recorrente no vocabulário de Bolsonaro.
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