Publiquei neste Comércio artigo intitulado Vitória Improvável, em que sustentei que Fernando Haddad, se quiser ter uma carreira política consistente, deve trocar de partido, alinhando-se a uma nova agremiação com viés de esquerda.
O entendimento por mim esposado não foi um mero “achismo”, mas calcado em análise meticulosa dos diversos recortes feitos pelos dois principais institutos de pesquisas, ao longo da campanha presidencial.
Para o Ibope e o DataFolha, muitos eleitores de Jair Bolsonaro votaram mais por rejeição ao Partido dos Trabalhadores do que propriamente por simpatizarem com o candidato do PSL. Eles também avaliaram que o bom resultado obtido por Haddad consolidou-se após ter ele se descolado do PT. É bom lembrar que no final da campanha, Haddad evitou até a cor vermelha do partido, um marco tradicional do PT desde a sua fundação.
É fato que o PT elegeu a maior bancada de deputados (federal e estadual), além de quatro governadores. Porém o desempenho deste ano foi bem inferior ao de 2014, mostrando-se satisfatório apenas na região Nordeste. Também alguns dos expoentes do partido, como Dilma Rousseff, Lindberg Farias e Eduardo Suplicy, não conseguiram se eleger.
Em Franca, onde no passado o PT teve forte representação na Câmara dos Vereadores, tendo eleito e reeleito um prefeito, o partido atualmente está em frangalhos (não possui sequer um vereador), não obstante a cidade continuar sendo um reduto de operários identificados com as causas sociais.
No passado recente, muitas vitórias do PT são atribuídas por alguns às suas campanhas milionárias, financiadas, segundo a Operação Lava Jato, com dinheiro drenado por um dos maiores esquemas de corrupção do planeta. Agora com a torneira quase seca, o desempenho não foi o mesmo, em que pese o apoio nada velado de alguns poderosos veículos de comunicação.
Com efeito, no entendimento de cientistas políticos de escol, o bom resultado de Haddad deve-se mais ao seu desempenho pessoal do que ao PT. Nesse contesto, ele deve sim refletir sobre o seu futuro político em outro partido, como, aliás, fizeram outros, no passado, com sucesso.
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