A pintora francana Maria Goret Chagas esteve na França, há menos de um mês, representado a arte brasileira. Desta vez foi homenageada em Paris com o título de “Embaixadora das Artes, Letras e Cultura”. A láurea foi concedida pela “Divine Académie des Arts, Lettres et Culture”, instituição que tem por objetivos “a defesa e a promoção da cultura francesa” naquele país e em países onde o francês é segunda língua. Movido pela curiosidade, o leitor pode se perguntar onde entra nessa seleção o Brasil, colonizado por portugueses e cujo povo miscigenou-se em suas bases no contato de culturas tão díspares como a dos nativos e a dos escravizados nos três séculos pós- descobrimento do Novo Mundo. Uma das razões desse olhar pode estar no fato de que a diretora da instituição é uma brasileira naturalizada francesa. Divani Pavesi , 57, formada em jornalismo, com pós -graduação na Sorbonne e mestrado pela Universidade de Dublin, criou a “Divine Académie” em 1995, abraçando desde o início também o propósito de encorajar a cultura francesa no Brasil e a cultura brasileira na França. Dentro desse espírito, Maria Gorett Chagas foi nome perfeito - quer pelas evidentes qualidades de pintora, quer pelo seu gosto pela cultura francesa. Goret licenciou-se em língua e literatura francesas pela então Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Franca, hoje pertencente à Unesp, e se tornou professora respeitada e querida. Foi aluna brilhante de nome icônico na educação em Franca- Antonieta Barini. Sua fluência no idioma facilitou o intercâmbio que protagonizou. Além desse momento brilhante na carreira e na vida pessoal, Goret vive as emoções de todo final de ano, quando a Associação dos Pintores com Boca e Pés, à qual é associada, começa a vender seus lindos cartões de Natal e calendários para o próximo ano. Entre os trabalhos que circulam pelo mundo, estão reproduções de obras de Goret e de outro francano, José Henrique Taveira Breda. O Comércio ouviu Maria Goret Chagas, que falou sobre esses dias de celebração da arte e da vida.
Como você foi descoberta pela “Divine Académie?”
Goret- Em 2016, o amigo Celito Medeiros, artista plástico, enviou mensagem dizendo que gostaria de me indicar para expor no “Carrousel du Louvre” através da “Divine Académie”. Passados uns dias recebi e-mail formal da presidente e curadora Divani Pavesi, me solicitando cinco fotos de telas. Duas foram selecionadas. Assim começou o processo de escolha, que terminou com a premiação no Hotel George V.
Ano passado você mostrou suas obras no Louvre. O fato de dominar o idioma francês facilitou a interlocução, o convívio, a fruição?
Goret- Nossa, e como! Não domino totalmente ( a língua), mas facilitou muito. Consegui me comunicar bem, até convenci um artista parisiense, em seu atelier em Monmartre, a me deixar trabalhar junto dele. Era uma permissão quase impossível, pois eles são muito severos na questão de espaço, cada um no seu (...)Sabe, o amor à França que a mestra querida Antonieta Barini nos transmitiu, lá ao vivo transborda, é a língua do encantamento.
O Hotel George V é um dos mais estrelados de Paris. A recepção e premiação devem ter sido lindas. Descreva um pouco dessa festa.
Goret- “Four Seasons Hotel George V Paris”: um sonho! Me senti num conto de fadas; mais uma vez o encanto dos famosos arranjos de flores lindas e exóticas, os espelhos, o luxo, a formalidade. Fui laureada, de maneira única, separada dos outros, numa cerimônia VIP, como Grande Embaixadora das Artes, Letras e Cultura.
Olhando em retrospectiva como analisa sua obra? E como a vê a partir de agora, rumo ao futuro?
Goret- Creio que houve um amadurecimento no estilo, na técnica. Sinto que minhas telas estão sendo reconhecidas pelo que coloco nelas de pessoal e intransferível. Continuo com meus estudos, trabalho em função da APBP ( Associação dos Pintores com Boca e Pés) pois esta realidade vivida recentemente abre mil portas. Porém, o cotidiano volta e, ainda bem, volta mais amplo, com uma visão futurista e os pés continuam no chão e a fazer arte. Tento enfrentar tudo com humildade e sabedoria, com Deus no coração. E com gratidão. Sou grata à parceria com a Prefeitura de Franca, que oportunizou minha ida.
Fale um pouco sobre a Associação dos Pintores com a Boca e Pés.
Goret- A Associação dos Pintores com a Boca e os Pés, com sede na Suíça, existe desde 1956. Naquele ano Erich Stegmann, que pintava com a boca, reuniu um pequeno grupo de artistas com deficiências físicas, todos oriundos de oito países europeus. O objetivo do líder era ensinar a eles como ganhar seu próprio sustento através de suas obras. Juntando habilidades criativas com visão de negócios, Stegmann fundou a Associação como organização corporativa que reproduz os trabalhos dos seus artistas na forma de cartões, calendários e outros produtos. Atualmente há 53 artistas do Brasil. Dentre eles o francano José Henrique Taveira Breda e eu. A venda é feita pelo site www.apbc.com.br ou telefone 11 5053 5100
Você já teve trabalhos seus escolhidos para ilustrar cartões postais e calendários da APBP?
Goret- Sim, tenho. De 2007 até 2019, uma sequência de mais de 80 cartões neste mundo afora, tais como Itália, Suíça, Alemanha, Croácia, Canadá, México, Singapura, Eslovênia, Eslováquia , Argentina e outros tantos. Este ano vários florais e velas. Para 2019 a capa do Calendário é uma obra minha: “Transparência”, floral feito com a boca e os pés.
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