Passada a euforia dos brasileiros com o processo eleitoral, tudo parece transcorrer para o restabelecimento da normalidade. Após um “apagão” de pelo menos três semanas - as do segundo turno das eleições presidenciais disputado entre o eleito Jair Bolsonaro (PSL) e o candidato derrotado Fernando Haddad (PT) -, os habitantes deste País Tupiniquim voltam a conviver com os problemas adormecidos, até esquecidos, enquanto brigavam por seu presidenciável favorito. Ainda não se completaram duas semanas após o pleito, mas a Nação já foi surpreendida com pauta-bomba no Congresso Nacional e prisão de políticos em exercício do mandato no Rio de Janeiro. A bem da verdade, nada disso é novidade. Mas esperançosos e resilientes que são, os brasileiros tendem sempre a crer em um mundo melhor, em uma guinada na caótica situação que assola o País. A aposta, ou melhor, o anseio pelo novo é claramente comprovado quando se observa o resultado das urnas. À espera da mudança, o País - até há pouco tempo inebriado pelo poder do voto - agora começa a voltar ao seu normal, o de esperar que algo de bom aconteça.
Bastou uma sessão sem a influência da disputa eleitoral ou da ressaca de seu resultado para que o Senado da República aprovasse um aumento, no mínimo, irresponsável para os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). Não que o reajuste seja injusto - pelo contrário -, mas o momento é o mais inoportuno possível. Qual categoria de trabalhadores brasileiros conseguiu um aumento de dois dígitos percentuais em época de inflação em baixa? E mais que isso: em um momento de total arrocho econômico? Enquanto autoridades e economistas pregam a necessidade de um corte drástico nas contas públicas e elegeram a Previdência como o demônio da vez, como engolir um reajuste salarial de 16,38% para o Judiciário? Aumento que gerará efeito cascata, inflando os gastos de todos os entes da Federação.
Mas isso é apenas mais uma faceta da realidade brasileira. Assim como também é a corrupção no meio político nacional. Nessa quinta-feira, de uma tacada só, sete deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro foram presos. Outros três, que já estavam fora do mandato por terem sido detidos no ano passado, também voltaram para a cadeia. Todos acusados de envolvimento em esquemas de assaltos aos cofres públicos, capitaneados pelo ex-governador fluminense Sérgio Cabral, preso há quase dois anos. Políticos metendo a mão no dinheiro do Brasil - conta a história - não é novidade. Já suas prisões fazem parte de uma realidade recente.
A Nação verde e amarela está retornando ao seu normal. E assim como a normalidade se aproxima, o fim de ano também está logo ali. Logo Jair Bolsonaro assume a Presidência. Um pouco antes, Papai Noel chega. E, assim como em todos os anos, a esperança se renova no Natal.
email opiniao@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.