E agora, senhor doutor juiz?


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‘Atentei para todas as obras que se fazem debaixo do sol, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito.” Esta é uma passagem bíblica. Eclesiastes 1-14. Uma passagem bíblica como a que norteou a campanha do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL): “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. João 8-32. Mas voltando ao texto da Bíblia que abre esta Objetiva, chegamos a uma - para muitos cristãos - profecia dos tempos de hoje: vaidade e ansiedade. Há mais de dois milhares de anos, alguém pôde ter apenas narrado os males que afligiram ou, talvez, previsto os que hoje afligem a humanidade. Bíblia de lado... O juiz aclamado por toda uma Nação, tido como herói por milhões de brasileiros, deixa a carreira jurídica para se arriscar na vida política. A intenção é logo retornar à Justiça com jota maiúsculo, mas antes preferiu se enveredar pela justiça, com jota minúsculo, a que depende da política, mas a única que pode garantir a todos um mundo mais justo - seja ele com jota maiúsculo ou minúsculo. Porquê, apesar de todos os pesares e de todas as matizes, um mundo melhor se faz independentemente de a palavra ser gravada em maiúsculo ou em minúsculo.

Jair Bolsonaro completa neste domingo uma semana de sua eleição. O capitão reformado do Exército tenta dar uma cara ao seu futuro governo. Caracteristicamente, o até agora parlamentar na dura lida de montar seu comando no Executivo protagonizou nessa última semana uma sequência de idas e vindas. Comandar para quem está acostumado a colaborar, seja por meio da propositura de leis e da fiscalização do próprio Executivo, é um campo de inúmeras titubeações. Executar não faz parte da realidade legislativa. O maior - e sem margem para, por enquanto, dúvidas - acerto nesta primeira incerta semana de Bolsonaro foi a nomeação do líder da Lava Jato, Sérgio Moro, para o intentado superministério da Justiça, que aglutinará a própria Justiça e a Segurança.

O futuro governo objetiva dar a Moro o controle das políticas nacionais anticorrupção e antiviolência. Caberá a ele liderar no país as ações contra os dois maiores males que corroem o Brasil: a corrupção e o tráfico de drogas, duas espécies de crimes altamente organizadas e que matam diariamente centenas de cidadãos deste tão imaturo país. Moro se lança em terras, até agora, inférteis. Sua batalha será transformar a pedra seca em terra úmida. Para que sementes possam ser lançadas.

O caminho é o dos mais inglórios. Mas a depender de um juiz de 1ª instância que mandou para a prisão o maior líder que o Brasil conhece na atualidade, mesmo que os méritos sejam questionáveis, as esperanças são grandes. Cabe a ele agora derrotar a estrutura política que se instaurou no Brasil, de autodefesa entre pretensos honestos e corruptos, e garantir a todos brasileiros a justiça, a verdadeira, aquela do jota minúsculo. Sem vaidade, sem ansiedade. No tempo oportuno, sem personificação, este tão jovem e humilde país há de avançar.

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