Treze pessoas foram presas ontem acusadas de integrar uma organização criminosa formada para a exploração do jogo de bicho na região. Fazem parte do grupo, três policiais civis acusados de receber propinas para manter o esquema criminoso e um empresário apontado como o chefe da quadrilha. Na casa do bicheiro, foram apreendidos R$ 100 mil.
A Operação Quebrando a Banca foi deflagrada pelos promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) de Franca, em conjunto com a Polícia Civil, e teve como objetivo cumprir mandados de prisões temporárias e de buscas e apreensões nas cidades de Ituverava, Guará e Pitangueiras.
O esquema funcionava há pelo menos três anos e era comandado por uma família que veio de Goiás.
Segundo a denúncia, a base da organização era Ituverava, mas o chefe contava com gerentes que atuavam na região. Eles eram responsáveis por controlar o jogo, recolher o dinheiro e repassar ordens. Há indícios de que atuação chegava a cidades mais distantes, como Araçatuba.
“Constatamos que se tratava de uma organização extremamente estabelecida e com experiência nessa área criminosa. Com os lucros obtidos, eles se utilizavam de empresas de fachadas para lavar dinheiro e corrompiam agentes públicos”, disse o promotor de Justiça Rafael Piola.
Os policiais civis são de Pitangueiras. “Eles passavam informações sigilosas de operações policiais e evitavam cumprir ordens superiores de outros policiais para investigar a organização criminosa. Era uma forma do jogo do bicho funcionar e os exploradores terem lucro sem serem incomodados”, disse o promotor de Justiça.
O valor da propina que recebiam e os nomes dos policiais não foram divulgados. Eles foram levados para a sede da Polícia Civil em Ribeirão Preto, e ficarão à disposição da Corregedoria.
Os demais presos vieram para Franca, inclusive, a mulher e a filha do bicheiro. “Nós ainda não estimamos os valores que eles movimentavam por mês, mas era muita coisa. Já temos a ordem judicial de quebra de sigilo bancário, não só das pessoas físicas, mas também das pessoas jurídicas que eram utilizadas para lavar o dinheiro”, completou Rafael Piola.
Na casa do bicheiro, funcionava a banca de administração do jogo. No local, escondidos no fundo falso de uma gaveta de roupas no closet, foram apreendidos R$ 100 mil. Também foram recolhidos celulares, computadores, anotações, blocos e até máquinas eletrônicas, semelhantes às de cartão de crédito, usadas para fazer jogo de bicho.
Os acusados vão ficar presos temporariamente por cinco dias, podendo o prazo ser prorrogado. Novas etapas da operação podem ocorrer, inclusive, em Franca.
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