O anúncio dos superministérios do governo de Jair Bolsonaro (PSL) e a afirmação do presidente eleito de que gostaria de ver o atual governo aprovar ainda neste ano a reforma da Previdência levaram a Bolsa brasileira ao maior patamar de fechamento desde março. O dólar encerrou o dia em pequena queda. Apenas na tarde de ontem, dois dos ministros confirmados de Bolsonaro, Paulo Guedes (Economia) e Onyx Lorenzoni (Casa Civil), afirmaram que o futuro mandatário do Palácio do Planalto decidiu manter o plano de criar o superministério da Economia. Junção de Fazenda, Planejamento e Indústria e Comércio Exterior, será comandado por Guedes. Além disso, foi confirmada a junção do Ministério da Agricultura com o Meio Ambiente. As duas junções foram prometidas em campanha, mas Bolsonaro chegou a considerar revê-las. As medidas agradam em cheio os investidores.
O mercado viu também com otimismo a afirmação de Bolsonaro, em entrevista na noite da última segunda-feira, de que trabalharia pela aprovação da reforma da Previdência do governo Michel Temer (MDB) ainda neste ano. Durante a campanha, Bolsonaro e Lorenzoni disseram que isso não deveria ocorrer. E é pouco provável mesmo que os deputados em fim de mandato, principalmente os derrotados nas urnas no início de outubro, queiram enfrentar a opinião pública, já pensando nos próximos pleitos, com uma pauta de tamanha impopularidade.
Mas como o mercado financeiro vive mais de especulações, ontem os investidores apostaram nas promessas de Bolsonaro, mesmo nas que não dependem apenas dele. O Ibovespa, principal índice acionário do Brasil, avançou 3,68%, a 86.885 pontos. O giro financeiro foi de R$ 20,6 bilhões, acima da média diária do ano. No exterior, as Bolsas americanas voltaram a subir e terminaram em alta de mais de 1%, mas bem abaixo da brasileira.
Enquanto a Bolsa subia com força, o dólar teve mais um dia de forte volatilidade. A moeda americana fechou em queda de 0,37%, a R$ 3,6920 - de uma cesta de 24 emergentes, o real foi a segunda que mais ganhou força sobre a divisa dos EUA. O mercado acompanhou as declarações de Guedes sobre o uso das reservas internacionais, que somam US$ 380 bilhões. Reportagem do Valor Econômico informou que o futuro ministro quer reduzir esse saldo. Nesta terça, porém, Guedes negou e disse que elas seriam utilizadas apenas se o dólar chegasse a R$ 5.
De agora até os primeiros meses do governo Bolsonaro, o mercado financeiro tende a viver um período de lua de mel com o Planalto. Mas o futuro do relacionamento dependerá de como o futuro presidente colocará - e se colocará - em prática suas propostas para salvar a economia brasileira.
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