A vitória improvável


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Resido em Franca desde 1975 e confesso não ter assistido aqui um entusiasmo e um foguetório igual ao do último domingo. A festa do francano se iniciou tão logo o Tribunal Superior Eleitoral proclamou a eleição de Jair Bolsonaro do PSL sobre o candidato petista Fernando Haddad. Nem em 1977, com a vitória da Francana sobre o Araçatuba e a consequente ascensão da Veterana à primeira divisão do futebol paulista, assisti uma comemoração com tamanha intensidade. O mesmo posso dizer em relação aos títulos mundiais de 94 e 2002.
 
O interessante é que presenciamos nesta eleição um fenômeno que merece ser examinado não só por cientistas políticos, como por psicólogos e estudiosos do comportamento humano. Sim, pois pessoas que há algum tempo renegavam explicitamente o nome de Bolsonaro, por entenderem tratar-se de um extremista de direita, com posições radicais em várias áreas, algumas delas em total descompasso com a modernidade, acabaram comemorando a vitória dele como sendo o fato político mais importante dos últimos anos, capaz de tirar o país do mar de lama que alguns – vários – homens públicos o colocaram.
 
A sua eleição teve ainda um outro componente que também merece estudo. Ele venceu contando com parcos recursos, não conseguiu fazer campanha presencial em razão do atentado que sofreu e ainda com um alto índice de rejeição no início do primeiro turno. Para muitos o resultado improvável foi fruto da vitória da internet sobre o rádio e a televisão.
 
A comemoração incontida de muitos, também pode ser explicada por entenderem que Bolsonaro deverá reconduzir o país ao respeito que se deve ter com a família tradicional, à propriedade privada e aos postulados maiores do Cristianismo, aspectos que o Brasil teria se afastado nos últimos anos.
 
Haddad por sua vez, deve mudar de partido se quer ter um futuro político consistente, pois a votação obtida comprova ser ele, atualmente, maior do que o PT, tanto que teve melhor resultado quando se descolou do partido e de Lula, aliás, fato que ocorreu a pedido do próprio Lula, que mesmo preso, continua tendo muita sagacidade política.
 
Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca

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