Pacientes alegam agressões e fogem de casa de recuperação


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Cerca de 20 pacientes resolveram fugir da casa de recuperação para dependentes químicos Missão Nazareno, localizada na rodovia Felipe Calixto, que liga Franca a Ribeirão Corrente, na manhã da última segunda-feira. Os pacientes alegam supostas agressões e maus-tratos. O presidente da instituição nega as acusações.
 
Segundo depoimento do tio de um dos pacientes, seu sobrinho teria sido agredido com tapas e enforcamento. De acordo com ele, os pacientes também estariam vivendo em más condições e comendo comida estragada. “A alimentação não era adequada, um dos dependentes químicos era encarregado de buscar alimentos estragados para dar aos porcos e muitas vezes eram, na verdade, servido aos próprios pacientes. A Vigilância Sanitária já foi acionada várias vezes e chegou a notificar o local”, afirmou.
 
Os dependentes teriam levantado para tomar café da manhã e após verem que seria servido macarrão, decidiram se reunir e abandonar o local. “Nós pagamos R$ 400 para mantermos meu sobrinho na casa. Lá eles trabalham, cortam grama, lavam suas roupas, arrumam a cama, etc. Porém, não tem nenhum tratamento psicológico, nenhum enfermeiro e nenhum médico. Já tive um cunhado que também ficou internado lá. Ele chegou a tomar um remédio sem prescrição e dormiu por um dia inteiro”, finalizou o tio de um dos pacientes.
 
A casa de recuperação pertence à igreja evangélica Missão Nazareno, localizada no bairro Santa Efigênia, em Franca. O presidente da entidade, o pastor Carlos Roberto da Cunha, disse que a acusação é descabida. Segundo ele, a casa de recuperação é uma instituição séria e que ajuda dependentes químicos há mais de 20 anos. 
 
“As acusações são todas falsas, os agredidos na verdade eram os voluntários, e eles são orientados a não agredirem os pacientes. Nós já tiramos várias pessoas da rua, o trabalho é totalmente voluntário, fazemos para ajudar, as mensalidades são apenas para cobrir os gastos. Em relação à alimentação, eles estão sendo maldosos, nós recebemos doações de supermercados e os legumes que estão em bom estado para o consumo são destinados a eles. Hoje mesmo, estou fazendo um porco caipira para eles almoçarem”, disse Cunha.
 
Ele também afirmou que a casa de recuperação realiza trabalhos com assistente social e psicólogos. “Temos uma parceria com a Unifran, cerca de cinco formandos de psicologia vêm aqui frequentemente para tratar dos pacientes. As assistentes sociais de nossa igreja também fazem acompanhamento com eles. Deixamos claro que qualquer tipo de medicação é sempre dado aos dependentes com a prescrição médica que a família nos traz”, finalizou.
 
Após a fuga, os pacientes foram até o plantão policial e registraram um boletim de ocorrência contra a casa de recuperação por agressão e maus-tratos. 
 
O presidente da instituição também registrou ocorrência contra os pacientes. O caso será investigado pela Polícia Civil .

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