O acirramento dos ânimos inédito em um pleito brasileiro teve sua gênese lá em 2014, quando, inconformados com a derrota tão pequena e termos numéricos, os tucanos recorreram à Justiça Eleitoral para tentar uma espécie de “terceiro turno”. Na prática, a estratégia do PSDB de nada adiantou, a não ser para dividir ainda mais o País. A reeleição de Dilma Rousseff (PT) e os escândalos de corrupção dos três e meio mandatos petistas serviram para levar o País ao caos econômico; a briga política e judicial entre PSDB e PT, com o MDB no meio, levou os brasileiros à descrença. Sem dinheiro e sem esperança, o terreno foi fértil para o crescimento de Jair Messias Bolsonaro (PSL), eleito, no último domingo (28), o próximo presidente da República Federativa do Brasil.
Também afetado por episódios de corrupção e sem o poder na mão, o PSDB sai menor - bem menor - desta eleição. Sua morte só não foi decretada devido à vitória de João Doria a governador do Estado de São Paulo. Mas o salvador é também o algoz. O pífio desempenho do ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, no primeiro turno das eleições presidenciais deve-se, em parte, ao futuro mandatário paulista. Ao forçar sua candidatura, deixou seu padrinho político sem palanque no maior Estado do País. Alckmin tinha em Márcio França (PSB), seu vice, o candidato a sucedê-lo no Palácio dos Bandeirantes. Mas com Doria saindo pelo PSDB, acabou sem um nem outro. Doria fez tudo pelo poder. Deu certo. Tão certo que deve cravar o fim do partido. A social democracia se contradiz a praticamente tudo o que defende o agora mais poderoso tucano.
Já o PT, com seu principal líder, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso, viu Fernando Haddad subir nas pesquisas eleitorais do quarto, quinto lugar, para a vice-liderança no primeiro turno. Na segunda e decisiva etapa das eleições, diminui a vantagem de Bolsonaro em quase pela metade. Os 18 pontos percentuais nas primeiras pesquisas caíram para praticamente 10 nas últimas e, inclusive, no resultado final da eleição. Mas o partido desidratou-se, e muito, nestas eleições. Mas ainda foi o que mais elegeu governadores - quatro no total - e continua com a maior bancada na Câmara de Deputados. Com a recuperação de Haddad na reta final da disputa eleitoral, o PT ganha pontos para brigar pelo comando da oposição a Bolsonaro no Congresso Nacional.
Mas o Partido dos Trabalhadores, nem de longe, é o mesmo de há quatro anos. O PSDB, então... O protagonismo e antagonismo comandados por ambos nos últimos 24 anos acabaram. O PT lutará com outras legendas para capitanear a oposição, já o PSDB verá seus fundadores e principais líderes lutando com Doria para impôr as diretrizes do partidos. A vitória de PT e PSDB, ainda que despropositadamente, foi eleger Jair Bolsonaro.
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