Patrícia Furacão


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A colunista Patrícia tem uma trajetória singularíssima. Filha de taxista, tornou-se professora. Educadora, Sônia Menezes Piso deixou para trás carreira e o próprio nome e virou Patrícia. No ofício de jornalista, quebrou tabus, rompeu barreiras, ganhou respeito e notoriedade. Converteu-se, também, num ícone, num símbolo, numa inspiração. Não apenas por sua profissão, como também pela maneira como superou tantos obstáculos na vida. Aos 87 anos, segue independente, lúcida, ativíssima, concentrada agora nos preparativos de mais uma Noite EP. Aposentadoria? Nem pensar. Ficar parada não é conceito que se aplique a Sônia Menezes Piso – e, muito menos, a Patrícia.
 
Como surgiu a ideia de fazer a noite EP? E como começou?
Tive a ideia de trazer essa festa para nossa Franca, inspirada nas festas de grandes colunistas sociais da capital, como Geraldo Bernardes, Vera Martins e Alik Kostakis. Recebi todo apoio do saudoso Corrêa Neves e do diretor do nosso Comércio na época, Alfredo Henrique Costa, que disse: “faz muito bem! A senhora vai vender ilusões, alegrias e o povo gosta disso”. A primeira foi no centro médico, foram umas 200 pessoas, hoje só de homenageados são mais de 200.
 
Muitos atores, atrizes e celebridades já participaram da festa. Qual deles deixou a melhor impressão e qual a senhora não convidaria nunca mais?
(Risos) Já veio muita gente, veio a Xuxa, Flávio Cavalcante, Bruna Lombardi, Elke Maravilha, Amauri Júnior, mas a maioria eu não convidaria novamente. Primeiro, pelas despesas. Eu fazia uma festa um dia antes para recepcioná-los e um almoço no outro dia na casa de amigos. Duas pessoas que não me deram trabalho nenhum foram a Xuxa e o chefe de cozinha Olivier Anquier. Agora, quem dava muito trabalho, eram os costureiros da vida, Solto Maior e Clodovil. Hoje não convido mais, pois cheguei à conclusão de que as estrelas da festa são os homenageados.
 
Quando a senhora começou esse tipo de evento era novidade.  Houve muita resistência? 
Quando comecei ainda existia muito aquele ranço da alta sociedade e muitas pessoas não admitiam o fato de eu ter vindo de uma família simples. No começo eu tive algumas barreiras, com preconceitos. Sem falar no financeiro. Durante anos, a festa foi mais glamour do que um negócio rentável. No começo, dava prejuízo. Eu tinha que sair dias depois da festa com um livro, chamado livro de ouro, e procurar empresários pedindo ajuda. O que salva a festa são os patrocinadores. Só com os ingressos não dá nem para empatar.
 
Festas como a noite EP sempre têm muita comida e bebida, é comum o excesso. Alguém já deu muito trabalho?
Como em todas as festas regadas a bebidas, os excessos sempre existem. Tem gente que abusa um pouquinho mais. Uma briguinha por ciúmes, maridos que ajudam suas mulheres a chegarem até o carro no final da festa, mas nada muito grave. O espumante sobe rápido e as pessoas nem percebem (risos). Na pista de dança, belíssimos vestidos já foram rasgados. Por isso, o kit costura e o Engov nos banheiros. Há também sempre uma ambulância de plantão.
 
Aos 87 anos, a senhora mantém um pique invejável, de onde vem essa energia? Quantas horas por dia, a senhora dorme? 
Eu prefiro falar 8.7 para ficar mais chique. Durmo em média quatro horas por dia. Me deito às 2h e acordo às 6h30, faço minha oração e vou para luta. Acho que essa energia, a pessoa nasce ou não nasce com ela, acho que vem de Deus. Tem dias que nem eu sei como consigo. Chego em casa, olho para minha Nossa Senhora Aparecidinha e digo: “fala para o seu filhinho que eu dei conta. Tem horas que eu não acredito que sou eu” (choro).  “Mas o mais importante de tudo é que eu faço o que gosto!”

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