Estrada do Leite: a economia que pode custar caro


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Acidente na madrugada da última sexta-feira matou um motorista na 'Ponte do Inferninho'
Acidente na madrugada da última sexta-feira matou um motorista na 'Ponte do Inferninho'
Não é por acaso que a ponte foi batizada de “Inferninho”. Em um ano, foram quatro acidentes e três mortes. Usada como opção para encurtar distância e economizar, a Estrada do Leite se notabiliza por matar e causar prejuízo. É perigosa e mal sinalizada. 
 
A estrada tem cerca de 60 quilômetros de extensão e liga Patrocínio Paulista a Altinópolis, passando por Batatais. Pista única, asfalto ruim, sem acostamento e as poucas placas de sinalização estão encobertas pelo mato ou danificadas. O traçado é outro passaporte para o inferno. “Acredito que houve um erro de engenharia. A curva fechada termina na cabeceira da pista. O motorista que não conhece bem o local não consegue fazer a curva e vai parar dentro do rio”, disse Enéas de Menezes, que trabalha há 15 anos como motorista e sabe bem onde estão as armadilhas da pista.
 
A mais recente vítima fatal da estrada, o motorista Daniel Rodrigues, 37 anos, era natural de Vinhedo (SP) e passava pouco pelo local. Na madrugada de sexta-feira, ele caiu com um caminhão carregado de leite na ponte e seu corpo só foi encontrado no final da tarde. Em abril, outra morte foi registrada na mesma ponte. Morador de Itatiba (SP), Felipe Padovani, 26, perdeu o controle de seu caminhão e caiu no rio. Morreu antes mesmo do socorro chegar. 
 
Se é tão perigosa e tem péssimas condições de segurança por que a estrada é tão usada pelos motoristas? “Os motoristas particulares ou de empresas terceirizadas que prestam serviço preferem passar pelo local para fugir do pedágio de Batatais e para cortar cerca de 20 quilômetros até Altinópolis. A distância só e menor para quem sai de Patrocínio. A empresa em que eu trabalho proíbe os motoristas de passar pela estrada, justamente, pela falta de condições de segurança”, disse Enéas.
 
Outra opção para o motorista com destino a Altinópolis seria seguir pela Portinari até Batatais, duplicada, e depois entrar na Altino Arantes, que tem terceira faixa e acostamento.
 
Enéas sugere que a melhor alternativa para reduzir os acidentes na Estrada do Leite de maneira mais rápida é reforçar a sinalização. “É preciso encher de placas avisando os motoristas que há uma ponte após a curva e que ocorrem muitos acidentes no trecho. A longo prazo, o ideal mesmo seria corrigir o traçado da pista e tirar a curva”.
 
A Prefeitura de Patrocínio Paulista informou que vai reforçar a sinalização nos trechos mais críticos e que estuda a possibilidade de instalar redutores de velocidade na descida.

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