Xô, tristeza! Finados no México é Festa!


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No Brasil, o dia dedicado à memória dos que  morreram é sempre triste. Em silêncio as pessoas vão aos cemitérios, levando flores e velas para os túmulos de seus mortos. Ali rezam e muitas vezes choram. 
 
Mas, como diz o ditado, cada terra tem seu uso, como cada roda tem seu fuso. Então, no México, onde a comunidade cristã também é enorme, o culto é bastante diferente do nosso. Lá o feriado não está associado à tristeza. Por conta de uma tradição muito antiga, os mexicanos gostam de reunir amigos e familiares para lembrar com carinho de seus antepassados. E as crianças festejam junto com os adultos.
 
Para os mexicanos, uma vez por ano os mortos recebem uma permissão para visitar entes queridos. Então, nesse dia é importante que a casa esteja preparada  para os acolher com aquilo de que gostavam quando estavam vivos: comidas, roupas, música, danças e tudo o mais.  Segundo a tradição popular, o primeiro dia de visitação (31 de outubro) é das crianças que morreram. É chamado  Dia dos Santos Inocentes. Nos outros dias ( 1 e 2 de novembro) é a vez dos mortos adultos.
 
Declarada como Patrimônio da Humanidade (celebração que destaca uma cultura e une seu povo),  essa é uma das festas mexicanas mais animadas –comemorada com pratos especiais (doce de abóbora), bebidas (água, mescal e tequila), frutas, caveirinhas de açúcar... Aliás, as simpáticas caveiras supercoloridas estão por toda parte. 
 
La Catrina
Em várias partes do país acontecem festivais e concursos culturais com desenhos e fotografias. Tem também competição para ver quem faz o melhor pão-de-morto, quitute típico do Dia dos Mortos. A massa deste pão é doce e seu formato imita ossos e... caveiras. Estes eventos acontecem em várias cidades mexicanas. Nestas festas há ainda concursos para eleger a melhor fantasia de “La Catrina”. Esta personagem representa a Morte. Mas ela é engraçada e não assustadora. Sua origem está no mundo dos astecas, povo que habitava o México quando os espanhóis ali chegaram. Os astecas  costumavam exibir caveiras de seus mortos em festas parecidas que aconteciam no mês de agosto. 
 
Altar colorido
O altar que cada família monta para homenagear seus mortos tem cor, velas, imagens, além das bebidas e comidas de que falamos. É importante ter representação dos quatro elementos da natureza. O vento  aparece na decoração com papéis que, ao se movimentarem, simbolizam a passagem dos mortos pelo local. A água é colocada em um recipiente para que as almas matem sua sede após percorrer um longo caminho até o altar. A terra é representada pelas frutas cheirosas, deixadas para saciar a fome das almas. O fogo está presente nas velas – cada uma que é  acendida  é uma alma que foi lembrada.
 
Outra coisa que não pode faltar é uma cruz com os quatro pontos cardeais para  a alma encontrar o caminho de volta para o mundo dos mortos quando a festa acabar.

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