Mesmo em um período de campanha eleitoral, em que seu futuro pode estar em risco, o papel do líder de uma Nação é pacificar seu povo, amenizar os ânimos, tentar garantir à população a segurança. Por mais polarizado que esteja um processo eleitoral e mesmo que seja representado e representante de uma das pontas, o chefe de Estado não deve - ou não deveria - tomar partido. Afinal, quando alcança o posto de presidente de uma República, o político já não representa mais apenas seus eleitores, ela governa para todos. É dever dele proteger seus aliados e também seus oponentes. Mas, nos Estados Unidos do republicano Donald Trump não é isso que acontece. Em vez de tentar apagar o fogo, ele dá combustível e alimenta ainda mais as chamas. O episódio do envio de pacotes suspeitos a políticos, admiradores e instituições vistas como simpatizantes do Partido Democrata, em plena campanha eleitoral em que estão em jogo toda a Câmara dos Deputados e um terço do Senado norte-americano, foi usado por Trump para atacar a imprensa. Mais que condenar o fato e ordenar investigação prioritária para o caso, o presidente dos Estados Unidos preferiu concentrar seu foco na mídia, culpando os meios de comunicação pelo acirramento da disputa.
“Uma grande parte da Raiva que vemos na nossa sociedade é causada pelas reportagens propositadamente falsas e incorretas da Grande Mídia, à qual me refiro como Fake News. Ficou tão ruim e odioso que está além de descrições. A Grande Mídia deve se retratar, RÁPIDO!”, escreveu o presidente em suas redes sociais ao comentar o envio das supostas cartas-bomba. Ontem, o FBI, a polícia federal americana, confirmou que mais pacotes suspeitos foram enviados a Joe Biden, vice-presidente no governo de Barack Obama, e ao ator Robert De Niro, forte crítico de Trump. Com esses, já são dez os pacotes suspeitos enviados a políticos democratas, entre eles o ex-presidente Barack Obama e a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, ou a figuras associadas ao partido, como George Soros, conhecido doador democrata, além da rede de televisão CNN. Neste caso, o pacote era endereçado a John Brennan, ex-diretor da CIA (agência de inteligência americana) que atuou no governo Obama. Tudo isso acontece a menos de duas semanas das eleições legislativas americanas.
É preciso reconhecer que Trump, em um primeiro momento, condenou o episódio. Mas, deixou de lado o papel de estadista para alimentar ainda mais a rivalidade que domina os Estados Unidos, aproveitando-se de um grave incidente, que é tratado pelo FBI como terrorismo doméstico, embora o motivo ainda seja desconhecido. Em uma Nação com profundas cicatrizes forjadas pelo terrorismo, transformar esta mais recente ocorrência em munição para atacar os oponentes é um absurdo que só poderia vir de pessoas como Trump.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.