A situação já foi muito pior, mas ainda continua causando transtornos à população francana. Mesmo com todas as ações desenvolvidas ao longo das últimas semanas por uma equipe multidisciplinar da Prefeitura, os moradores de rua continuam a incomodar. A situação no Centro da cidade, mais especificamente no entorno da Catedral Nossa Senhora da Conceição, atingiu tal ponto de gravidade que levou a Igreja Católica a cogitar a instalação de grades na lateral do prédio, na tentativa de evitar que fiéis sejam importunados, ameaçados e até agredidos por pessoas que insistem em fazer da marquise do templo religioso morada. A medida poderia até ferir os preceitos da igreja, que prega o amor ao próximo e a caridade, mas esta não é a realidade. Os mendigos que lá estão não querem nenhum tipo de ajuda que não seja a esmola. E quem se nega a lhes dar alguns trocados, segundo os relatos, fica à mercê da fúria dos contrariados.
Desde o fim do ano passado, a Administração Municipal tenta encontrar uma solução para a situação, que garanta a dignidade e todos os direitos da população de rua e, ao mesmo tempo, a tranquilidade de quem transita pelos locais por eles ocupados. Nas últimas semanas, os serviços de abordagem foram intensificados em áreas públicas que servem de moradia para os mendigos. Mais que desocupar os espaços, as equipes da Prefeitura oferecem diferentes tipos de ajuda, que vão desde tratamento em clínicas de recuperação de dependentes químicos até passagens de ônibus para que retornem a suas cidades de origem, quando não são de Franca. Mas, comumente, o que os servidores municipais recebem é um grande não. E aí a situação se torna uma verdadeira perseguição de cão e gato.
No caso da Catedral, no último dia 13 de setembro, as equipes da Prefeitura foram até lá. Dos seis homens que dormiam ao lado da igreja, apenas um aceitou ajuda. Trabalhador da construção civil desempregado, foi encaminhado à Casa de Passagem para receber assistência e ajuda na busca por um novo emprego. Os demais continuaram na rua. E voltaram a ocupar a lateral do templo. Até um barraco de madeira foi improvisado. Nessa segunda-feira, mais uma vez, foram retirados do local. E, de novo, recusaram a ajuda.
Não há ninguém, como bem fizeram questão de ressaltar líderes católicos, contra os moradores de rua. O caso em tela, porém, trata-se de uma questão que vai além do serviço social. Ele evidencia uma grave crise de existência decorrente da dependência química. É uma questão de saúde pública. Tomadas pelas drogas e pelo álcool, essas pessoas recusam tudo que vá contra a manutenção de seu vício. Nenhuma ajuda, que não seja um trocado, é recusada. E o “malfeitor” vira alvo da ira causada pela abstinência. Nessas situações, resta à população se proteger. A instalação das grades é um exemplo disso. Porque, infelizmente, não há mais nada a ser feito.
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