“Somos um zero à esquerda, que ninguém enxerga”, assim, a artesã Rejane Fernandes resumiu a situação da categoria que expõe seus produtos no projeto Franca Feito à Mão. Ela usou a tribuna da Câmara, ontem, para pedir um local de maior visibilidade para a feira. Atualmente, as barracas são montadas na praça em frente ao cemitério da Saudade.
Segundo ela, além do baixo fluxo de clientes, o espaço sofre com a presença constante de moradores de rua, o que acabaria afastando a população. “Podemos montar as barracas apenas aos sábados, das 9 às 16 horas. Não é possível sustentar uma família trabalhando apenas estas horas por semana. Queremos um lugar para podermos trabalhar a semana inteira.” Rejane diz que faturou apenas R$ 95 em outubro, com a venda de seus produtos.
O vereador Corrêa Neves Júnior (PSD) disse que é possível lutar por um novo espaço para a montagem da feira. “A ocupação de espaços públicos precisa ser discutida.” O parlamentar disse que está, junto com o governo, buscando caminhos para a definição de uma nova área para receber o projeto.
Segundo Rejane, das 80 barracas disponibilizadas pela Prefeitura, apenas 45 estão ocupadas. “Muitos artesãos devolveram as barracas, pois estamos tendo que pagar para trabalhar.” A manutenção das barracas é de responsabilidade dos artesãos.
As barracas chegaram a ser montadas em um área da avenida Integração. Mas, a feira retornou ao Centro. A comerciante disse, na tribuna, que integrantes da Administração teriam informado que a mudança de local do projeto foi barrada pelos vereadores.
Ao rebater a acusação, Adérmis Marini (PSDB) subiu o tom contra a Prefeitura. “Não veio nenhum projeto sobre isso para a Câmara. Esse governo é bom de diálogo, mas ruim de resolução. Não toma decisão. O governo incompetente culpa as pessoas, para não resolver os problemas.”
Líder do governo, Otávio Pinheiro (PTB) lembrou que os artesãos foram colocados na praça em frente ao cemitério na gestão anterior. “É bom reforçar que esta situação não é de agora. Vamos lutar para encontrar um novo espaço e com todas as condições necessárias.”
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