O Estatuto do Idoso estabelece que a partir dos 60 anos a pessoa atinge a condição de idoso, passando a ter garantidos vários direitos, como por exemplo, passe livre, vagas em estacionamento, privilégio de atendimento.
Mas o que o idoso quer e merece é, no mínimo, igualdade de tratamento quanto as oportunidades de trabalho e de estudos com os cronologicamente mais jovens. Vagas em estacionamento, privilégio de atendimento, dentre outros, são benefícios elogiáveis, mas que não são suficientes. Há pessoas que se negam a valer-se da sua idade para, por exemplo, “cortar uma fila”, por terem a compreensão de que isso não é o mais importante.
A jovialidade está relacionada com a capacidade da pessoa, independentemente de sua idade, de ter sonhos e projetos. Portanto ela depende mais das nossas atitudes e menos da nossa idade cronológica. Assim há idosos jovens e jovens idosos.
A legislação reconhece, com justiça, algumas prerrogativas em concursos, para o afrodescendente, para o portador de necessidades especiais, dentre outros. Porém sonega ao idoso igual tratamento, como se ele não fosse mais capaz de cursar uma universidade ou de ocupar uma função pública. No mínimo, a matéria deveria ser discutida pelos legisladores.
Há um adjetivo em inglês, “wise”, que quer dizer sábio, porém relacionando a sabedoria ao idoso (I ask grandfather for advice because is wise – eu peço conselho ao meu avô porque é sábio). Sim, pois a sabedoria costuma vir atrelada a uma existência longeva. Não obstante, infelizmente em nosso país, o idoso é visto, ainda que sub-repticiamente, como alguém que não reúne mais condições para contribuir para com a sociedade, que não pode mais estudar, amar, trabalhar. É como um “sangue suga”, um estorvo, um dependente da caridade do poder público.
No ano vindouro, se o Criador permitir, completarei 60 anos. Espero continuar tendo ideais e reunindo condições para, de alguma forma, colaborar para as novas gerações. Enfim, trocar a força física que vem paulatinamente declinando, pela experiência que acumulei em minha trajetória de vida. Idoso sim, inútil jamais!
Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca
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