C omeça neste domingo a última semana da campanha eleitoral de 2018. As eleições gerais chegam ao fim no próximo dia 28 com as votações em segundo turno para presidente da República e para governadores de 14 Estados e mais do Distrito Federal. Se no Estado de São Paulo a disputa segue acirrada entre o governador Márcio França (PSB) e o ex-prefeito paulistano João Doria (PSDB), no Brasil a vitória de Jair Bolsonaro (PSL) é dada como certa. Desde a conclusão do primeiro turno, no último dia 7, nada abala a liderança do capitão reformado do Exército na corrida para o Palácio do Planalto. Jogando parado, viu sua preferência entre o eleitorado nacional oscilar na casa dos 60% nas pesquisas de intenção de voto. A cristalização do cenário faz com quem muitos eleitores, cansados com as barbáries testemunhadas durante a campanha, apelassem - neste caso - contra o “desnecessário” segundo turno. Apesar de a intenção de votos não ter sido sido suficientemente alterada para chegar a ameaçar o líder da pesquisas e vencedor do primeiro turno, este período se mostrou crucial para que importante denúncia surgisse e, a se confirmar, pode ser capaz de resultar na cassação de registro de candidatura e, se esta for do vencedor do pleito, anular o processo eleitoral.
Se a votação do próximo domingo fosse realizada neste, é praticamente certo que Bolsonaro seria eleito com grande margem de vantagem sobre seu opositor, o petista Fernando Haddad. E esta mesma vitória acachapante é a que se vislumbra para o próximo dia 28. Analistas projetam uma remota chance de o candidato de esquerda reverter o quadro nestes últimos dias de campanha. Falam em 25% de possibilidade. É muito para cravar a morte da candidatura, mas é pouquíssimo, praticamente nada, ao se contemplar os números sob o ângulo do líder, que detém 75% de chances e um eleitorado fiel, consolidado.
Para vencer as eleições, Haddad tem de crescer justamente sobre os eleitores de Bolsonaro. A possibilidade é ainda mais improvável ao se verificar que o público do militar é formado preponderante e justamente por eleitores antipetistas. Se as pesquisas são extremamente desanimadoras para o petista, o noticiário lhe deu um último respiro. O escândalo do WhatsApp pode mudar os efeitos deste pleito, mas não nas urnas, apenas na Justiça. Fato este, porém, também altamente improvável. Pesquisas internas da própria campanha, como relata a imprensa, mostram que a denúncia sobre o financiamento de empresas a uma campanha contra o PT, através do aplicativo de mensagens, pouco reverberou entre os eleitores.
Ainda que nada mude a convicção de cada um dos quase 150 milhões de brasileiros que têm o direito de votar, o tempo é importante, pelo menos, para que supostas falcatruas ganhem luz, uma vez que o debate de ideias e propostas foi nos tirado. Restam poucos dias. Que eles sejam de serenidade. E que a esperança de um Brasil melhor se renove daqui a quatro anos.
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