Superação através do esporte


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segundo torneio de goalball aconteceu no final de setembro
segundo torneio de goalball aconteceu no final de setembro
A cada dia o esporte supera os diversos obstáculos que lhes são impostos, tanto que vemos (e vivenciamos) as diversas práticas nas paralimpíadas transmitidas pela TV para todo o planeta. No final do mês passado, foi a vez de Franca ser palco para superações de obstáculos. A cidade recebeu a final do segundo Torneio de Goalball, modalidade de futebol para deficientes visuais. O evento começou na sexta-feira, 28 de setembro, e foi até o domingo, 30, sediado na Sociedade Francana de Trabalho e Instrução para Cegos, na Vila Aparecida. 
 
A modalidade esportiva surgiu em 1946, na Alemanha, com o objetivo de reabilitar e socializar os veteranos da Segunda Guerra Mundial que ficaram cegos. No Brasil, o esporte ganhou forma em 1985, por meio do professor Steven Dubner, do Centro de Apoio ao Deficiente Visual de São Paulo. O jogo conta com três atletas de cada time que, no decorrer dos vinte minutos de partida divididos em dois tempos, se enfrentam para manter o melhor placar. Silêncio absoluto e atenção aos comandos dos árbitros (que são dados em língua inglesa) fazem parte das táticas de enfrentamento dos times, que têm a função de arremessar e defender. A bola utilizada no jogo é parecida com uma de basquete, pesando em torno de 1,2 kg com guizos em seu interior para que os jogadores saibam sua direção. Participaram desta edição do torneio times do Paraná, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo.
 
“Esse é um torneio de vários jogos. Durante todo o fim de semana fazemos os confrontos. No sábado começa bem cedo e termina tarde da noite. Oficialmente os jogos são de 12 minutos cada partida, mas cronometrados. Se parar o jogo, paramos o cronômetro. Assim temos jogos que duram até uma hora. Para nosso torneio adaptamos em dez minutos cada partida para que conseguimos fazer tudo em um único final de semana”, disse a técnica do time de Franca, Flaviana Olinto, conhecida por todos como Poty, que esbanjou alegria ao comemorar o título para Franca nas modalidades feminina e masculina na final daquele domingo.
 
A telefonista Pollyana Kever, 39, perdeu a visão aos 24 anos e encontrou no goalball e no atletismo a motivação para seguir a vida com independência e autonomia. “Nunca pensei na vida em jogar o goalball. Ia aos treinos aqui em Franca e não entendia nada. Um dia fui em um treinamento e pedi para a técnica deixar eu arremessar a bola. Quando joguei ela foi bem para o fundo da quadra e os técnicos perguntaram quem havia feito o arremesso e me convidaram para jogar já no outro dia. A partir daí, me apaixonei pelo esporte! Não levo como diversão, até porque vou para competir e ganhar, mas são os melhores momentos que tenho”, concluiu Pollyana.
 
60 anos
A Sociedade Francana de Instrução e Trabalho aos Cegos atende deficientes visuais há mais de 60 anos. Dirigida pela francana Aparecida Geraldi Luca, a entidade atende cerca de 60 pessoas - destas, 30 são atendidas através do Centro Dia, mantido com o custeio da Prefeitura de Franca. Além do Centro Dia, a Sociedade dos Cegos oferece trabalhos de terapia ocupacional, alfabetização, encaminhamento para o mercado de trabalho, informática, cartonagem e de atividades esportivas como o goalball. “Graças a Deus nós ganhamos muitas doações de alimentos e ajuda muito. O recurso público que recebemos é destinado ao Centro Dia. Assim, as doações de mantimentos, trabalhos voluntários e dinheiro em espécie que recebemos usamos para custear as despesas da entidade e manter as atividades que aqui oferecemos”, ressaltou Mariângela Ribeiro, 36, assistente social da instituição. 
 
Para a coordenação da entidade, o que vale é o incentivo ao esporte, seja ele de que modalidade for. “Fizemos a primeira edição do Torneio de Goalball em 2015 e nesse ano fizemos a segunda. Infelizmente, por falta de apoio, não fizemos nos dois anos anteriores e hoje estamos aqui também como uma forma de mostrar esse trabalho. Espero que as pessoas, empresas e o poder público se sensibilizem com a história do goalball e de nossos atletas francanos e ajudem a incentivar esse esporte. Não posso deixar de agradecer ao patrocínio de muitas empresas de nossa cidade, além da Feac que nos ajuda também”, disse Cristina Alves, coordenadora da sociedade. 

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