(eram tempos de merda, e acreditei que não mais seriam)
na possibilidade de tanto
recuo tenso sem sorriso
tenho planos, tenho seiva,
mas não sei se tenho vida.
eu me calo, tudo fala,
minha volta é toda vida,
teço planos, teço teias,
mas não teço meu destino.
corpos passam decididos
têm força, mas sem brilho,
olhos baços, olho triste
e não invejo seus caminhos.
estou pequeno, estou prostrado,
já sem sonhos já sem sina,
vejo o amante sem desejo,
e, sem apego, vejo a vida.
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