Cenário eleitoral acalma mercados


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A uma semana do segundo turno, o mercado financeiro terminou os negócios em ritmo mais morno e deixou para trás a euforia vista nas semanas que sucederam a primeira etapa da disputa eleitoral. O dólar recuou, enquanto a Bolsa teve leve alta. O desempenho dessa sexta-feira ficou em linha com o exterior, que teve um pregão relativamente positivo após perdas registradas na véspera, sinal de que o mercado consolidou suas apostas em Jair Bolsonaro (PSL). O dólar recuou 0,26% e fechou a 3,7150 - na semana, a queda foi de 1,69%, mas a moeda americana ficou distante da mínima de R$ 3,68 registrada na quarta-feira. O Ibovespa, principal índice acionário do país, subiu 0,44%, a 84.219 pontos. Entre segunda e sexta, a alta acumulada foi de 1,88%.
 
Na semana, no entanto, o noticiário foi dominado pelo desenrolar da corrida eleitoral, com pesquisas de intenção de voto consolidando a larga vantagem de Bolsonaro sobre Fernando Haddad (PT) na preferência dos eleitores. Na quinta-feira à noite foi conhecida nova pesquisa Datafolha, que mostrou Bolsonaro com 59% dos votos válidos, ante 41% que devem ser concedidos a Haddad. “Bolsonaro mantém confortável distância em relação a Haddad. A nove dias do segundo turno, poucas são as chances de Haddad”, escreveu o banco Fator em relatório.
Os números favoráveis a Bolsonaro, candidato preferido pelo mercado financeiro por ser visto como defensor de propostas mais liberais no campo econômico, minimizaram o impacto da denúncia de que empresários favoráveis ao capitão reformado do Exército teriam contratado ilegalmente empresas para disparar mensagens de WhatsApp contrárias ao Partido dos Trabalhadores. O PT entrou com ação no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) impugnando a chapa. O tribunal, que havia convocado uma coletiva de imprensa para esta sexta, adiou a reunião para a tarde de domingo. “É difícil que a ação movida pelo PT prospere, em nossa visão”, escreveu a Guide.
 
Até a possibilidade de Ilan Goldfajn deixar o Banco Central ao fim do mandato de Michel Temer, em dezembro, aventada na quinta-feira, se dissipou no noticiário mais morno dessa sexta.
A estabilidade que marcou o fechamento dos mercados brasileiros nesta semana garante ao País uma bolha de respiro para esta semana derradeira da corrida presidencial, que se inicia neste domingo. Investidores e analistas a enxergam como o fim do ciclo eleitoral, sem nada que possa abalar a decisão que, ao que tudo indica, já foi tomada pelos eleitores. Na Justiça, Bolsonaro tem cinco dias para apresentar sua defesa. Assim, até que algo aconteça - se vier a acontecer -, já terá passado o segundo turno. O que poderá abalar a calmaria no mercado financeiro será uma batalha judicial por um “terceiro turno”. Mas isso, só mais a frente.

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