A importante missão de informar


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Desde antes de o início da campanha eleitoral deste 2018, a Justiça e os órgãos de imprensa já estavam atentos ao poder das fake news de devastar um processo democrático. A tentativa era, é e sempre será a de garantir a cada um dos eleitores a verdade para o exercício pleno do sagrado direito de escolher seus representantes. Ambas as instituições, porém, não vislumbraram o potencial das mentiras propagadas, principalmente, por aplicativos de mensagens. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) chegou a se reunir com representantes das principais redes sociais em atuação no Brasil, arquitetaram ações de combate às fake news. A imprensa segue com a missão de tentar garantir a prevalência da verdade, desmascarando mentiras e zelando pela realidade dos fatos. Todos, porém, não contavam com tamanho estrago perpetrado através do WhatsApp. Culpados e inocentes disseminam as farsas. Entre um compartilhamento e outro, maculam o processo democrático, colocam em risco todo o processo eleitoral.
 
A quinta-feira, 18 de outubro, ficou marcada por uma grave denúncia publicada pelo jornal Folha de S.Paulo. A dez dias da votação do segundo turno para o cargo de presidente da República, o Brasil tomou conhecimento de uma indústria que agiria às margens da campanha oficial, financiada por empresas, movimentando milhões de reais, para denegrir um candidato e, consequentemente, favorecer outro. Leia sobre o caso no Caderno Brasil. O teor das mensagens, se verdadeiras ou fakes, ainda não foi divulgado. Mas o que se sabe é que a lei proíbe doações de empresas a candidatos, proíbe eleitores de pagar por propagandas a seus escolhidos. A se provar as denúncias do jornal, graves crimes terão sido cometidos.
 
Mas a reação de muitos e muitos eleitores  foi se voltar contra o jornal, contra a imprensa. O ódio que domina este processo eleitoral e o sentimento de vingança que impera em grande parte da população estão cegando os brasileiros. Veem na denúncia, um ataque; no jornalismo, um inimigo; na Justiça, um agente de fraudes. Nada nem ninguém pode retorquir a imagem que criaram de seu candidato. Nada nem ninguém pode lançar dúvidas e, muito menos, desvendar as mentiras que mais lhe agradam. A Justiça só pode agir sobre os inimigos. Se fizer algo - mesmo dentro do que determinam as leis - contra seu candidato, será fraude.
 
Então presidente do TSE, o ministro Luiz Fux já alertara que se ficar provada a influência de fake news no resultado, a eleição será anulada. Agora, a se comprovar a prática de crimes eleitorais a favor de determinado candidato, seu registro deve ser cassado. A Justiça Eleitoral deve agir célere e firmemente na investigação e julgamento das denúncias que assombram estas eleições. Enquanto isso, a imprensa continuará sendo vidraça na defesa da verdade, mesmo que muitos prefiram a mentira.

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