No último dia 7 de outubro, os eleitores de todos os cantos do Brasil promoveram uma renovação recorde na Câmara Federal. Apenas 251 deputados federais, menos da metade dos ocupantes das 513 cadeiras, conseguiram se reeleger. A faxina na casa é inédita nos últimos 20 anos, pelo menos. Entre os fracassados nas urnas nas eleições gerais deste ano, estão as principais lideranças do Congresso Nacional. Caciques partidários que ostentavam há vários mandatos vagas na Câmara e também no Senado da República foram varridos dos cargos pela vontade soberana da população brasileira. Mesmo com a ressaca da amarga derrota, deputados e senadores tentaram retomar suas atividades nesta semana, mas o gosto fúnebre da não reeleição e a decorrente baixa presença de derrotados e até de reeleitos, devido ao segundo turno do pleito para presidente da República e governador em diversos Estados, forçaram a renovação de um novo recesso branco até o início de novembro. É o início do melancólico fim de 262 mandatos na Câmara.
Nessa quarta-feira, parlamentares chegaram a realizar sessão do Congresso para análise de vetos presidenciais, mas o que chamou a atenção foram corredores e salões que se assemelhavam a uma espécie de muro das lamentações entre os derrotados. Muitos congressistas aproveitaram a semana em Brasília para percorrer ministérios em busca da liberação de obras e recursos, retribuindo o apoio de prefeitos no pleito deste ano. Na próxima semana, última antes do segundo turno, não deve haver votações. O Congresso só deve retomar os trabalhos em novembro, após o resultado final das eleições. A medida, além de permitir que políticos permaneçam em suas bases seja para pedir votos ou para descansar da maratona eleitoral, é vista como uma maneira de economizar, já que não será preciso gastar com passagens aéreas e outras despesas para sessões, na maioria das vezes, improdutivas. Já que não farão nada, pelo menos, gastarão menos.
Sem ter de cabeça o resultado de cada um dos 565 deputados e senadores que enfrentaram as urnas, parlamentares, lobistas e jornalistas relataram ao longo desta semana a dificuldade de abordar deputados e senadores por não saberem que tom adotar, se de felicitação ou de lamento. Ontem, um dos principais líderes da esquerda na Câmara, o deputado Chico Alencar (PSol-RJ), dava o seu diagnóstico: “Tempos sombrios pela frente. Foi impressionante o resultado, principalmente para quem luta pelos ideais democráticos. Jogaram a água suja fora, com o bebê junto”, afirmou o político derrotado na eleição para o Senado pelo Rio de Janeiro.
Há tempos que os brasileiros pregam a renovação. Desta vez, ela veio. Renovar, porém, não é necessariamente sinônimo de melhorar. Os brasileiros lançaram sua esperança - muitos, seu ódio e desejo de vingança - em nomes novos. Espera-se, para o bem do Brasil, que Chico Alencar esteja equivocado.
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