Se a votação para o segundo turno das eleições presidenciais fosse hoje, o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, seria eleito o presidente do Brasil, com 59% dos votos válidos, contra 41% de seu oponente, o petista Fernando Haddad. Os dados são da pesquisa Ibope, divulgada no início da noite de ontem (veja na Pág. 19A). O levantamento mostra uma cristalização da escolha dos eleitores. Os números são praticamente idênticos aos das pesquisas publicadas na semana passada, com oscilações dentro da margem de erro dos estudos. E os dados vão além, quando considerados os votos totais - que contabilizam os nulos, brancos e não sabem/não responderam, o capitão reformado do Exército já aparece com 52% das intenções. Assim, resta a Haddad tirar votos do próprio opositor e, restando apenas 12 dias para a votação, em 28 de outubro, a missão do petista - a não ser que haja uma hecatombe na campanha de Bolsonaro - é praticamente impossível.
E o Ibope jogou mais pás de cal sobre a candidatura de Haddad. O potencial de voto de Bolsonaro é o mesmo das intenções nos votos válidos. “Para cada um dos candidatos a Presidente da República citados, gostaria que o(a) sr(a) dissesse qual destas frases melhor descreve a sua opinião sobre ele?” As respostas a essa pergunta “Com certeza votaria nele para presidente” e “Poderia votar nele para presidente” mostram Bolsonaro com 52%: 41% e 11%. Já Haddad, a levar em conta essas mesmas perguntas, teria potencial de avançar apenas dois pontos porcentuais nos votos totais, com 28% de “Com certeza votaria nele para presidente” e 11% de “Poderia votar nele para presidente”. A soma é de 39% contra os 37% que apresentou de intenção nos votos totais. Os dois pontos percentuais, porém, são os mesmos da margem de erro. E, assim, podem não significar nada na teoria também, uma vez que na prática não são suficientes nem para incomodar Bolsonaro.
Mas o pior dados de todos para Haddad está na rejeição apontada pelo Ibope. Uma das respostas à mesma pergunta é “Não votaria nele de jeito nenhum”. Nesse quesito, o petista passa o candidato do PSL: 47% a 35%. Carregando consigo toda a pecha creditada pela grande maioria da população brasileira ao PT, Haddad não viu surgir efeito o distanciamento ao ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva adotado por sua campanha no início deste segundo turno. Todo o antipetismo, todo o sentimento que beira a vingança contra a classe política, contra os escândalos de corrupção que mergulharam o País no caos, são centrados no candidato do PT.
Enquanto Haddad tenta um milagre para evitar a iminente derrota, Bolsonaro colhe os frutos de sua movimentação que começou no processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016, quando ensaiou personificar a figura do antipetismo. Com um discurso populista e extremista, convenceu a tão abalada população brasileira e, agora, está prestes a ser coroado no posto.
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