A violência que mancha a campanha eleitoral deste ano é tamanha que repercutiu na ONU (Organização das Nações Unidas). O extremismo que atingiu inclusive o candidato a presidente da República do PSL, Jair Bolsonaro, esfaqueado em setembro, e a morte de um líder comunitário na Bahia, no último fim de semana, são alguns dos muitos lamentáveis eventos violentos que domina parte do eleitorado brasileiro. Diversas iniciativas criadas espontaneamente por membros da sociedade civil têm mapeado incidentes observados em todo o país. Um mapa gerado no Google Maps, intitulado Violência política no Brasil, mostra pelo menos 53 casos de agressões reportadas pela mídia. É preciso dar um basta!
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) condenou as agressões praticadas durante este período eleitoral no Brasil. A porta-voz do escritório, Ravina Shamdasani, fez, ainda, um apelo aos líderes políticos, pedindo que se mobilizem para refrear as ocorrências. “Nós condenamos quaisquer atos de violência e pedimos uma investigação imediata, imparcial e efetiva desses acontecimentos. O discurso violento e inflamado presente nessas eleições, sobretudo contra LGBTI, mulheres, afrodescendentes e aqueles com diferentes visões políticas, é profundamente preocupante, particularmente em razão dos relatos de violência cometida contra esses indivíduos”, diz, em nota.
Além de levantar as agressões registradas, o Mapa da Violência também tem reunido denúncias, que são reportadas de forma voluntária, além daquelas já abordadas pela imprensa. Embora parte significativa das vítimas pertença a minorias sociais, no site há narrações que fogem a esse perfil, como a história contada por um homem de 38 anos, que se autodeclara branco e heterossexual. Ele alega ter sofrido uma possível intimidação, devido à sua posição política. Prova de que neste pleito a violência parte e atinge diferentes grupos, das mais opostas correntes ideológicas e partidárias. É uma clara demonstração de que as divergências extrapolaram o campo das ideias para colocar em risco a integridade física e - em casos extremos - a vida de cidadãos durante o seu direito sagrado de se manifestar contra ou a favor deste ou daquele candidato.
Restam ainda 14 dias para os eleitores brasileiros voltarem às urnas, no dia 28 de outubro, para escolherem no segundo turno o futuro presidente do Brasil, entre Bolsonaro e Fernando Haddad (PT). Há também as disputas para governos de Estado. São duas semanas em que os ânimos podem e devem ser amenizados. E a iniciativa deve partir dos próprios candidatos e das legendas partidárias. Do contrário, serão noticiadas novas tragédias decorrentes de um embate que deveria servir para levar o País a dias de esperança, não de morte.
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