O império das falácias


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‘Só dura a mentira, enquanto a verdade não chega.” O provérbio português parece não se aplicar no atual momento eleitoral vivido pelo Brasil. A imprensa tradicional, que se empenha em tentar derrubar todos os boatos que dominam a disputa, principalmente, para a presidência da República, é alvo de milhares e milhares de cidadãos ao desmentir os boatos. Muitos dos brasileiros preferem crer nas falácias do que nos fatos e, assim, atacam os órgãos noticiosos, acusando-os de defender este ou aquele candidato. A ignorância tornou-se o alimento dos discursos raivosos, do ódio que impera neste pleito. É melhor uma mentira que agrada do que uma verdade que incomoda. O Brasil é a pátria do “autoengano”.
 
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) também se dedica a combater as chamadas fake news. Nessa quinta-feira, deu mais um passo nesta batalha inglória. Lançou uma página na internet para ajudar a esclarecer o eleitorado brasileiro acerca das informações falsas e falaciosas que vêm sendo disseminadas pelas redes sociais. Para a Justiça Eleitoral, “a divulgação de informações corretas, apuradas com rigor e seriedade, é a melhor maneira de enfrentar e combater a desinformação”. A página Esclarecimentos sobre informações falsas (https://bit.ly/2OYv BUw) possibilita a qualquer cidadão o acesso a informações que desconstroem boatos ou veiculações que buscam confundir os eleitores brasileiros. “Diante das inúmeras afirmações que tentam macular a higidez do processo eleitoral nacional, nessa página, o TSE apresenta links para esclarecimentos oriundos de agências de checagem de conteúdo, alertando para os riscos da desinformação e clamando pelo compartilhamento consciente e responsável de mensagens nas redes sociais”, diz nota do Tribunal.
 
Paralelamente à tentativa de convencer os eleitores de que os boatos repassados pela tia ou pelo primo nos grupos de WhatsApp são mentiras, uma outra frente - formada pelo próprio Tribunal Superior Eleitoral, Ministério Público Eleitoral, Polícia Federal e outros órgãos públicos e privados - atua na investigação das fake news. “A finalidade é garantir a verificação de eventuais ilícitos e a responsabilização de quem difunde conteúdo inverídico”, informa o TSE. O trabalho da imprensa, na tentativa de informar corretamente, da Justiça e dos órgãos de investigação, na identificação e responsabilização dos criadores e disseminadores de mentiras, será infrutífero, porém, se o próprio eleitor preferir crer na falácia.
 
Como diz outro dito popular, “o pior cego é aquele que não quer ver”. E é exatamente deste mal que o Brasil está sofrendo atualmente. Talvez, porque, enfrentar a realidade não seja tão cômodo como se apegar a discursos populistas, rasos e que prometem simplórias soluções para tudo. Mas há de chegar o dia em que - parafraseando Jesus, no Evangelho de João, “conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”.

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