Uma ocorrência, provavelmente, sem algo similar no País foi registrada em Franca no começo da semana. O olhar atento de dois policiais militares e a competência de um delegado possibilitaram que um acusado de envolvimento em roubo seguido de morte, ocorrido no começo do ano, fosse preso no período eleitoral, o que, à primeira vista, não poderia ter ocorrido.
Cinco dias antes das eleições e até 48 horas depois do término da votação, nenhum eleitor pode ser preso, salvo em flagrante ou em virtude de condenação por crime inafiançável. O personagem desta história foi detido dentro deste período. Não foi flagrante nem havia sido condenado, mas acabou preso.
Terça-feira, 11h40. Durante patrulhamento pelo Jardim Luiza, o cabo Lopes e o soldado Marques avistaram o desempregado Kevin Artiaga Ferreira, 21, em atitudes suspeitas e resolveram abordá-lo. Constataram que havia um mandado de prisão expedido contra ele pela Justiça. É acusado de envolvimento na morte do comerciante Vilmar Antônio de Souza, ocorrida no dia 11 de janeiro, após um roubo em sua casa no Jardim Paulistano.
Kevin foi apresentado na sede da DIG. Como as 48 horas pós-eleição ainda não haviam passado, o procedimento normal seria soltá-lo. Foi quando a perspicácia do delegado Márcio Garcia Murari entrou em cena. “Como a lei fala que o eleitor não pode ser preso neste período, eu pedi aos policiais militares checassem no cartório se ele era eleitor. Lá, ficou constatado que não havia registro em seu nome e que ele não tinha título. O cartório nos emitiu uma certidão atestando que ele não era eleitor, o que nos possibilitou cumprir o mandado de prisão.”
Segundo a Polícia Civil, quatro pessoas participaram do latrocínio. Três já estavam presos. Só restava Kevin. “Acreditamos que ele estava andando tranquilo nas ruas, justamente, por imaginar que não poderia ser preso. Foi um caso muito raro. Já tivemos outras situações em eleições anteriores em que não foi possível efetuar a prisão, pois o acusado era eleitor. Agora, por sorte da polícia, da sociedade e da Justiça, este rapaz não era eleitor e, portanto, vai responder, preso, pelo crime de latrocínio”, concluiu Márcio Murari.
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