Após a definição do segundo turno das eleições presidenciais, os partidos que ficaram fora da disputa traçam difíceis e complicadas estratégias para definir seus apoios. Tamanha complexidade decorre dos personagens que continuam na corrida pelo Palácio do Planalto e os estigmas que carregam. O silêncio, caminho natural, pode significar omissão. Já o apoio, consequências duras. A decisão se torna ainda mais angustiante às siglas que continuam na briga do segundo turno para governadores de Estado. São Paulo é um deles, e a se levar em conta os resultados do último domingo e as decisões tomadas ontem pelos partidos dos dois candidatos que seguem na batalha, um deles poderá sair prejudicado.
A definição da ida de Jair Bolsonaro (PSL), com 49,2 milhões de votos ou 46,03% dos votos válidos, e Fernando Haddad (PT), com 31,3 milhões de votos ou 29,28%, ao segundo turno das eleições presidenciáveis confirmou a disputa entre os extremos. A polarização que domina o país desde 2014 tornou-se ainda mais extremada neste ano, com o auge de um candidato com propostas de extrema direta e um candidato petista que carrega consigo os escândalos de corrupção protagonizados pelo partido e que levaram seu maior líder, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, à prisão. Foi justamente o discurso antipetista, aliado a propostas populistas de combate à criminalidade, que levou Bolsonaro à condição de presidenciável e lhe garantiu, agora, o apoio de quase metade dos eleitores.
Naturalmente, com fins meramente eleitoreiros, o apoio a Bolsonaro pode render importantes votos aos partidos na corrida estadual. No Estado de São Paulo, o militar da reserva obteve 53% dos votos, contra apenas 16,42% de Haddad. Disputam o governo paulista, no segundo turno, João Doria (PSDB) e Márcio França (PSB). O tucano, ainda no primeiro turno, não fez questão nenhuma de descolar sua imagem de Bolsonaro, mesmo em detrimento ao candidato de seu partido ao Planalto, Geraldo Alckmin. Foi além, incorporou discursos do então opositor. Nesta nova fase da campanha, o ex-prefeito de São Paulo já se apropriou da candidatura “Bolsodoria”. Em respeito à sua própria história, em defesa da social democracia e o antagonismo ao PT, o PSDB decidiu não apoiar ninguém, mas liberou seus integrantes a posicionarem.
Já para Márcio França, a questão pode se complicar. Hoje ele deve receber o importante apoio de Paulo Skaf (MDB), com quem disputou a segunda vaga no segundo turno da corrida paulista, mas precisará enfrentar o desgaste da decisão de seu partido, tomada ontem, em seguir com Haddad. Apesar de o governador ter sido liberado do apoio ao petista, convencer a maioria dos eleitores paulistas, claramente, antipetistas de que não caminha com o próprio partido será uma missão ingrata e complicadíssima.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.