Domingo, 7 de outubro de 2018


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O dia que a grande maioria dos 208,5 milhões de brasileiros esperava chegou. Após quatro anos da traumática eleição que reconduziu Dilma Rousseff (PT) à presidência da República - nem tanto pelo resultado, mas pelas consequências- , o País tem a oportunidade de se reerguer a partir deste dia 7 de outubro. A esperança da maior democracia da América Latina, porém, está ameaçada pela polarização. Ameaçada porque grande parte dos 147,3 milhões de eleitores credenciados a votar neste domingo dá mostras de que abrirá mão de votar nos candidatos em que acreditam, nos que mais representam seus ideais, para votar contra. Se o Brasil já viveu a “eleição do medo”, convive hoje com o pleito do “contra o ódio” e do “contra o medo”. Votar a favor de dias melhores não faz parte da agenda de muitos nestas eleições. A revolução proposta, ninguém sabe bem contra o quê, mas sabe o “para quê”, lá nas já distantes - e ao mesmo tempo tão recentes - manifestações de 2013 será adiada por mais um pleito. Quiçá, a esperança voltará em 2022, e seus efeitos, exatos 10 anos depois. 
 
O Brasil vai às urnas para escolher o presidente da República pela oitava vez desde a redemocratização. Esta votação tem um caráter ainda mais especial, já que se dará dois dias após as comemorações dos 30 anos da entrada em vigor da Constituição Cidadã. A Carta Magna que garantiu deveres e diretos e estabeleceu no Brasil o estado democrático de direito. Graças a ela, nestas três décadas, a Nação superou intensas e graves crises econômicas e políticas. Sustentado por leis que garantem a cada um dos cidadãos brasileiros o poder de escolher, de duvidar, de reclamar, de contestar, de protestar, o País avançou. Apesar de todos os percalços enfrentados, muitos transpassados e outros tantos a serem superados, a Nação brasileira fortaleceu suas instituições e se firmou, apesar das adversidades e enormes diferenças que o formam, como uma das maiores e mais firmes democracias mundiais.
 
Neste domingo, serão 19 dígitos a serem apertados por cada um dos eleitores nas urnas a fim de eleger deputados federais e estaduais ou distritais, senadores, governadores de Estado e presidente da República. São 19 dígitos que determinarão os próximos quatro anos deste País e dos diversos países que o concebem.
 
O ápice da cidadania é exercer seu direito de eleitor. É neste momento que o poder “que emana do povo” está com o povo. Não despreze, não menospreze, este poder que a Constituição garante a todos os brasileiros maiores de 16 anos. Não trate uma conquista de anos de luta, manchados por muito sangue, como um instrumento de vingança. Vote conscientemente. Voto com a razão. A urna não é local de emoção.

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