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Em Ilhabela, há uma praia que se chama Praia da Feiticeira e é belíssima. Uma trilha dentro de um bairro simpático nos leva até suas areias. Se a chegada se der pelo lado Sul, antes da praia, a gente dá de cara com uma fabulosa fazenda e um casarão colonial que, ao melhor estilo novela das oito, ergue-se imponente. Quedas d’água artificiais completam o cenário idílico. Hoje se chama fazenda São Mathias, e se transformou num hotel butique que não aluga quartos, apenas o todo.
 
No passado, a fazenda tinha outro nome, e a proprietária de então, chamada de feiticeira, untou o local com uma lenda assustadora. Parte da história é bastante crível. Tratava-se de uma senhora escravagista e praticante da feitiçaria. Essa senhora teria enriquecido desmesuradamente porque cedia seu porto para a entrada dos navios tumbeiros, que traziam escravos africanos para o Brasil, numa época em que a vinda de escravos já estava proibida. A lenda diz que ela comercializava com os piratas, tanto abastecendo-lhes os navios, como também lhes guardando os escravos até a negociação dos miseráveis. Por isso, teria juntado um tesouro que, para ser enterrado, obrigou o serviço de dez escravos. Acabada a empreita, ela teria matado todos eles. Algum tempo depois enlouquecera e desaparecera para sempre.
 
Uma reforma suntuosa deu ao lugar uma cara que em nada lembraria uma atividade funesta. Hoje, seu principal destino é casar casais que possam pagar por uma cerimônia de sonho. Aliás, num final de semana, tive notícia de pelo menos três casamentos na ilha - e nem estamos na alta temporada dos casamentos. Vi grupos de fotógrafos, mulheres penteadas e vestidas para festa deliciosamente calçadas de havaianas. Também parece comum os melhores restaurantes cederem seus espaços para essas cerimônias. Tudo indica que tem sido uma maneira de driblar a crise que diminuiu um pouco o turismo na região. No restaurante All Mirante, por exemplo, ficamos sabendo que a proprietária está a frequentar feiras de noivas para divulgar seu espaço. 
 
Ao melhor estilo caribenho, vimos nas areias da Praia da Feiticeira: altar, flores, padre de bíblia nas mãos, vestido de noiva com a barra melada pelas ondas, noivos correndo um em direção ao outro, para o enlace brutal que faz a noiva girar nos braços do amado. Tudo registrado em terra pelos fotógrafos e, pelo ar, pelo drone. Então, fica a dica.
 
E quanto a comida, também posso deixar uma: o restaurante Manjericão, que fica no Centro Histórico, parece-me uma boa opção. Peçam o peixe fresco do dia, o fiz por quatro vezes e não me arrependi. 

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