Uma relação que havia se abalado antes do casamento chegou ao fim de forma litigiosa. O prefeito Gilson de Souza e seu vice, Professor Frank, ambos do Democratas, se distanciaram ainda durante a campanha para a Prefeitura em 2016. O rompimento era restrito aos bastidores políticos. Se tornou público por iniciativa de Frank, que usou as redes sociais para revelar que sofre processo de “fritura” no governo.
O vice fez o desabafo no grupo de WhatsApp “Franca Cidadã”, ao responder questionamento do presidente do Conselho Municipal de Educação, Wander Márcio Rossi. “Eu não faço parte do governo de maneira efetiva por ato único exclusivo do prefeito. Meu gabinete foi colocado para fora do gabinete do prefeito (termos físicos), não sou chamado para as reuniões nem para eventos, que quando vou não me dão a palavra.”
Frank disse que perdeu o carro antes destinado ao vice-prefeito e assessores. “Meu gabinete tinha dois cargos, dos 338 da Prefeitura, e com as exonerações, eu os perdi. Tenho trabalhado sozinho, recebendo munícipes e servidores e fazendo visitas em setores públicos e indo onde a população pede.”
Professor Frank disse que é ignorado pelos secretários, com exceção de Adriano Tosta (Serviços e Meio Ambiente) e de Flávia Lancha (Desenvolvimento). Revelou que teria recebido resposta atravessada de Gilson, quando foi reclamar. “A equipe que eu estava trabalhando foi, praticamente toda exonerada, e quando cobrei do prefeito ele disse: ‘Essa é a minha equipe, se um dia você for prefeito, você monta a sua’. A partir deste momento, a minha função que era limitada, ficou mais ainda.”
Gilson e Frank estão rompidos desde a campanha para prefeito, quando vazaram áudios constrangedores gravados pelo candidato a vice. Aliados de Gilson chegaram a cogitar tirar Frank da chapa e colocar outro vice em seu lugar. Como a disputa estava na reta final e o cenário se mostrava favorável para a vitória de Gilson, Frank foi mantido para evitar desgaste.
Gilson fez um aceno de aproximação em janeiro do ano passado, quando convidou o vice para assumir a Secretaria de Administração. A indicação foi barrada pelo Ministério Público, que alegou suposto impedimento constitucional.
Meses depois, quando o prefeito enfrentava processo de cassação aberto pela Câmara, o vice fez duras críticas ao governo em evento na praça central. Desde então, Professor Frank foi colocado na “frigideira com óleo quente”.
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