O poder do novo está com os legisladores


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Em uma democracia com o sistema presidencialista de coalizão, como é o que vigora em terras brasileiras, o poder de transformar a Nação está muito mais nas mãos de deputados e senadores do que com o presidente da República. No Brasil, porém, como o processo eleitoral concentra na mesma data as votações para deputados estaduais e federais, governadores de Estado, senadores e presidente da República, é natural que os cidadãos concentrem suas atenções aos candidatos que disputam vagas no Poder Executivo. Governadores e presidente terão a missão de comandar as ações de seus Estados e do País, respectivamente. Mas, como o Brasil não vive sob um regime autoritário e absolutista - para o bem de todos -, pouco ou quase nada farão os chefes do Executivo se não tiverem o apoio da maioria da Assembleia Legislativa ou do Congresso Nacional. Para colocar seus projetos em prática, governadores e presidente dependem do aval dos deputados e senadores, caso contrário, seus governos estarão fadados ao fracasso. Em casos extremos, à interrupção antes mesmo do fim do tempo do mandato para o qual foram eleitos.
 
Enquanto os brasileiros travam debates acalorados, discussões ferrenhas, na defesa deste ou daquele candidato a presidente da República, a eleição para as casas legislativas são renegadas a segundo, terceiro plano. Fato que representa enorme erro. O Brasil já teve mostra do tamanho do poder que o Poder Legislativo. Já viu dois presidentes sofrerem impeachment no Congresso Nacional. Mais recentemente, viu a Câmara Federal, por duas ocasiões, suspender investigação sobre o Michel Temer (MDB). Os brasileiros parecem não alcançar o tamanho da importância que os parlamentares têm na missão de legislar e fiscalizar as ações do Poder Executivo.
 
Estas eleições do próximo domingo têm ainda mais influência na vida de cada um dos cidadãos, já que, a partir delas, dois terços das cadeiras do Senado Federal estão em disputa. Cada eleitor deverá escolher, além dos deputados estadual e federal, dois senadores. O desinteresse no pleito para o Legislativo é comprovado pelos altos índices de indecisos ou que ainda não sabem em quem votar, detectados pelas pesquisas eleitorais.
 
O próximo ano precisará ser de reformas para Brasil. Estarão em pauta temas que podem mudar significativamente a vida de cada brasileiro. Uma das discussões deverá ser a reforma previdenciária. Por mais que o Executivo apresente o texto-base, deputados e senadores têm o poder de alterá-lo, aprová-lo ou rejeitá-lo. As decisões tomadas no Congresso Nacional mudam o dia-a-dia de todos os brasileiros. É hora, então, de aproveitar estes dias de vésperas de eleições para vasculhar a vida e as propostas dos candidatos e votar conscientemente. Há muitos aposentados aos 40 e poucos anos querendo ser deputado para fazer com que os brasileiros se aposentem aos 65.

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