A terça-feira, 2 de outubro, foi de diversos golpes na já combalida campanha de Geraldo Alckmin (PSDB). O presidenciável enfrenta resistências dentro do próprio partido desde o período da pré-campanha. Mesmo com o maior tempo de exposição na propaganda eleitoral, praticamente metade, o tucano não deslanchou nas pesquisas de intenção de voto. Nos levantamentos do Ibope, no período de campanha, nunca alcançou dois dígitos. Nos estudos do Datafolha, apenas duas vezes - mesmo assim, somente 10%. Candidato e presidente do partido, Alckmin patina nos 8% ou 9%. A apatia da candidatura, patrocinada pela figura do próprio tucano, a dificuldade de se impor como o candidato antipetista, a hesitação em atacar o líder das pesquisas, Jair Bolsonaro (PSL), e o desgaste do partido em São Paulo, após mais de duas décadas no governo do Estado, são fatores que podem explicar a falta de empolgação dos eleitores com Alckmin, além do desencantamento dos próprios correligionários que, mesmo antes da votação do primeiro turno, já articulam alianças com opositores e abandonam a candidatura tucana a quatro dias do pleito.
A terça-feira marcou o início do fim da candidatura de Geraldo Alckmin. E foi de Franca que surgiu o mais icônico dos golpes. Ontem chegou ao conhecimento da coordenação da campanha tucana um vídeo gravado na cidade em que um eleitor, ao lado de João Doria - que disputa o cargo de governador do Estado de São Paulo e tem no ex-governador a figura de seu padrinho político -, pede uma dobradinha entre o ex-prefeito paulistano e Bolsonaro. Doria, no vídeo, abraça o eleitor do militar reformado e não faz menção alguma ao seu suposto candidato. A gravação foi muito mal recebida na campanha tucana que, oficialmente, diz que Doria apenas tentou ser educado com o simpatizante. O que se viu no início desta semana, porém, foi o ex-prefeito aproximando seu discurso ao de Bolsonaro. Um exemplo claro foi quando afirmou que, “a partir de janeiro, polícia vai atirar para matar”.
Também ontem a bancada ruralista declarou apoio ao candidato do PSL. Alckmin reagiu: “Eu acho a manifestação da frente até desrespeitosa, porque eu também sou agricultor e não fui consultado. Os deputados e senadores não foram consultados”. Fala em que nada deva mudar a posição da Frente Parlamentar Agropecuária. Unem-se aos ruralistas, alas jovens do PSDB. Nas redes sociais, há até o grupo Tucanos com Bolsonaro. Tudo isso sem citar tucanos de altas plumagens que ou se calam e omitem Alckmin em suas campanhas ou, até mesmo, declararam publicamente apoio a adversários.
A hegemonia PT-PSDB, sua quebra e a polarização decorrente dela, aparentemente, fizeram mais mal aos tucanos - pelo menos à candidatura à presidência - que aos petistas. O melancólico fim do Alckmin candidato expõe o vexatório racha dentro do partido que governou o Brasil por dois mandatos.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.