As mulheres estão divididas


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Protestos de rua contra o candidato Jair Bolsonaro (PSL) reuniram milhares de pessoas pelo país nesse sábado, após a difusão do mote “#EleNão” nos últimos dias em redes sociais. Foram registrados atos em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Porto Alegre, além de pelo menos outras 30 cidades no Brasil, incluindo Franca. Pelo mundo, houve protestos anti-Bolsonaro em Berlim (Alemanha), Buenos Aires (Argentina), Paris (França), Londres (Inglaterra), Lisboa (Portugal), Nova York (EUA) e Washington (EUA). As manifestações foram convocadas por mulheres, que empunharam cartazes e entoaram paródias com letras críticas ao político, relacionando-o a atitudes consideradas machistas, misóginas, homofóbicas e racistas. Apesar de toda a mobilização feminina contra o candidato, as pesquisas mostram que Bolsonaro e Fernando Haddad estão tecnicamente empatados, voto feminino, com 21% e 22%, respectivamente.
 
Os dados são da pesquisa Datafolha, divulgada na última sexta-feira. Na pesquisa anterior, divulgada no dia 20, eles pontuavam, nessa fatia do eleitorado, 21% e 16%. A rejeição ao candidato do PSL entre elas, que são 52,5% do eleitorado, também teve ligeira alta. Antes 49%, agora são 52% das mulheres que dizem não votar de jeito nenhum no capitão reformado. A nove dias da eleição, elas seguem mais indecisas que eles. Na pesquisa espontânea, quando não são mencionados os candidatos na disputa, 34% das mulheres dizem não saber em quem votar -há duas semanas, eram 40%. Entre os homens, o índice é de 19%. Quando apresentados os candidatos, 7% dizem não saber em quem votar (3% dos homens dizem o mesmo).
 
Segundo Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha, sempre há um número considerável de eleitores que decide o voto dias antes. Em 2014, por exemplo, 23% escolheram na semana anterior ao pleito; 10% das mulheres e 8% dos homens, no dia da eleição. Seja por cautela ou por falta de informação, as mulheres estão levando mais tempo para decidir e estão menos certas do que os homens. “Sempre houve uma decisão posterior de mulheres mais que de homens”, diz. Segundo o Datafolha, 41% das mulheres dizem que seu voto pode mudar, contra 27% do dos homens.
 
Mais mulheres do que homens também desconhecem o número de seu candidato, 39%, contra 29% dos homens. Esse dado reforça a ideia de que existe, entre as mulheres, uma menor adesão ao candidato. Na pesquisa estimulada, o índice dos que pretendem anular o voto é de 10% (12% entre mulheres e 7% entre homens). Entre as eleitoras, 6% não sabem como anular o voto, contra 3% dos homens.
 
Além de todos esses dados, e ainda levando em consideração que elas são 52,5% dos eleitores, está mais do que claro que esta última semana de campanha será focada em  discursos voltados a conquistar o indeciso eleitorado feminino.

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