Quase dois anos depois do início da polêmica envolvendo a falta de fiscalização de ambulantes na cidade, pouca coisa mudou. Quem transita pelo Centro convive com a ocupação de calçadões por vendedores não autorizados.
São expostos no chão, em espaços que deveriam ser reservados à circulação, meias, calçados, cobertores, frutas e artesanatos. “Aqui (no terminal de ônibus) é raro não vir algum ambulante oferecer algo. Eles vendem de tudo”, disse a professora aposentada Isaura Gomes, 68, que mora no Aeroporto.Ela reclama da dificuldade de circular entre as plataformas por conta da presença dos vendedores. “Eu preciso ir no São Joaquim e é uma dificuldade passar pro outro lado porque eles montam os carrinhos bem na passagem”.
No calçadão da Voluntários, aos finais de semana, para transitar é preciso estar atento para desviar dos ambulantes. Ontem, sábado, havia uma banca de meias montada no chão, alguns metros à frente um senhor vendia cobertores e, ao seu lado, um rapaz oferecia brinquedos. “A gente precisa trabalhar. Ninguém escolhe vir para rua. É falta de opção. Melhor ser camelô que roubar”, disse ele, que pediu para não ser identificado.
No calçadão da Marechal Deodoro, o canteiro central é tomado por vendedores de bijuterias artesanais. Eles estendem um pano e colocam à mostra seus produtos. No mesmo calçadão, do outro lado, são os vendedores de utensílios domésticos que armam suas mesas para fazer as demonstrações. “A gente já ligou na Prefeitura. Eles vêm um dia e depois não vêm mais. Sem a fiscalização, os ambulantes voltam”, disse a gerente de uma loja de bijuterias, que pediu pra não ser identificada.
Em maio, a Prefeitura anunciou a criação de um cadastro para os ambulantes da região central e afirmou que não permitiria mais a presença deles nas ruas e calçadões. “Quem quiser trabalhar terá que ter autorização. Precisará apresentar seus documentos à Vigilância e provar que mora na cidade. Quem não tiver autorização e for flagrado nas ruas terá a mercadoria apreendida. Nossa ordem é para fazer valer a lei.””, disse à época o então chefe da Vigilância, Nelson Salomão.
Mas, passados quatro meses, nada foi implementado.
Prefeitura diz que fiscaliza ambulantes
Procurada para comentar a volta da invasão dos vendedores ambulantes no Centro da cidade, a Prefeitura emitiu uma nota oficial em que afirma que a fiscalização é feita regularmente e também que tem dado atenção àquelas “reclamações pontuais”.
“Durante todos os dias da semana, são feitas diligências em um ou mais locais, com orientações verbais e notificações de acordo com cada caso para que os ambulantes não permaneçam em áreas não permitidas”, diz a nota enviada pela administração municipal.
Sobre o cadastro anunciado em maio e que seria criado para que os ambulantes pudessem obter autorização de trabalho, a Prefeitura informou que “quanto ao cadastramento, deve ser resolvido tão logo a situação dos comissionados seja resolvida, lembrando que o projeto para tal fim deve ser enviado à Câmara nas próximas sessões”.
E disponibilizou um canal para reclamações. “As reclamações devem ser feitas na Vigilância Sanitária, pelo telefone (16) 3711-9415, que o fiscal vai ao local para notificar quem estiver cometendo infração.”
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