Toda grande ideia surge de uma receita de pão.
Primeiro separe um espaço para os ingredientes na bancada da alma, depois os misture com o líquido da emoção.
Coloque a mão na massa e encontre os pedacinhos duros do pensamento.
Esse é o verdadeiro canal de contato com o alimento: sovar, bater, abrir, modelar, é o coração encontrando alternativas para o alento.
Quando as coisas tomarem corpo e parecerem homogêneas dentro de ti, acalme-se, ainda não chegou o final.
É que falta o “pulo do gato”, aquele momento crucial em nossas vidas, mas que passa despercebido, é aquela porta que se fecha para balanço, é uma respiração profunda, uma mente que age na maciota, serena e aquieta-se.
Eis o segredo da vida: descansar a massa, pois é no descanso que a ideia cresce, feito sol na ribanceira.
O forno aquecido se encarrega daquilo que já está pronto e abre o apetite da vizinhança inteira.
Alguns dirão que foi sorte, outros, que você comprou o pão, poucos vão ver o seu esforço e a sujeira espalhada pelo chão.
Mas há quem chegue de fininho, só para lavar a louça e te estender as mãos, assim é um amigo de verdade e você não pode desperdiçar esse pão.
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