Comprar e vender produtos falsificados ou contrabandeados, não pagar impostos, “roubar” sinal de TV a cabo e furar fila são algumas das posturas combatidas pela campanha do ETCO (Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial), que está sendo realizada em Franca e nas cidades da região. A meta é visitar mais de 2 mil estabelecimentos comerciais até o final de outubro e conscientizar donos e consumidores da necessidade de acabar com as pequenas corrupções.
Para se ter uma ideia da importância da campanha, o presidente do ETCO, Edson Vismona, cita alguns dados. “O contrabando, por exemplo, foi responsável, somente em 2017, por R$ 146 bilhões em perdas de receitas do Estado. Nos últimos três anos, esse prejuízo ficou em R$ 491 bilhões, de acordo com dados do Fórum Nacional Contra a Ilegalidade (FNCP).”
Ele disse que o principal produto contrabandeado é o cigarro. “Do total comercializado hoje no interior paulista, 57% é oriundo do contrabando. Em 2017, estima-se que 15,1 bilhões de unidades de cigarros ilegais tenham circulado livremente no mercado.”
Na campanha, donos de supermercados, padarias e bares recebem orientação de representantes do instituto. “A abordagem é feita pessoalmente com os comerciantes, que recebem materiais com informações sobre os impactos das pequenas corrupções, não apenas na economia, mas também na formação de cidadãos”, disse.
Um dos locais já visitados foi o posto de combustível Galo Branco. “Eu fiquei surpreso com os números apresentados. Sempre fui contra vender produtos sem origem ou contrabandeados, sejam cigarros ou bebidas, mas não tinha ideia do quanto impactam a economia e o desenvolvimento do país. Essa campanha é muito importante sim”, disse o diretor-proprietário Matheus Bombicino.
Ele disse que é comum ter de lidar com as pequenas corrupções. “Já recebi muita oferta para vender contrabando. Mas sou totalmente contra, porque são produtos que não têm garantia de qualidade. E quem compra contrabando alimenta o crime. O mesmo vale para produtos falsificados.” Para ele, a campanha reforçou a ideia de que a compra e venda de produtos ilegais é um estímulo ao crime.
A campanha vai até o final de outubro. “Estamos estimulando posturas éticas que são absolutamente necessárias para termos um país desenvolvido. Não existe país desenvolvido que não tenha a ética e a defesa da lei como fundamentos da convivência entre pessoas e instituições. Cada um é responsável por mudar essa postura de aceitação da corrupção, que deve começar pela não aceitação das pequenas transgressões”, disse Vismona.
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