Já se passaram 365 dias. Foram 8.760 horas de saudade. Agora, dor, lágrimas, tristeza e tentativas de recomeçar são o que resta para uma mãe que, há um ano, recebeu uma notícia que mudou completamente sua vida.
Tânia Ribeiro é comerciante, casada e mãe. Teve uma filha, a também comerciante Núbia. Ela morreu na noite de 24 de setembro do ano passado, um domingo. Foi assassinada com golpes na cabeça e teve parte do corpo queimado. Núbia só foi encontrada dois dias depois na estrada da usina Seval, em Patrocínio Paulista. Os responsáveis? O auxiliar de mecânico Leonardo Cantieri, de 21 anos, com quem Núbia se envolveu no passado; a namorada dele, a estudante de Direito Lauany Viodres; e o desempregado Italo Vinicius Neves, 33.
O caso teve repercussão nacional e, na mesma semana, a DIG (Delegacia de Investigações Gerais) conseguiu capturar os três acusados. Para a polícia, Lauany foi a mentora; Leonardo o pivô, já que a namorada teria sentido ciúmes de Núbia mais uma vez e falado para ele marcar um encontro com a vítima; e Italo o comparsa que ajudou ativamente no crime.
Para Tânia, de toda forma, já não importa mais saber com exatidão “quem fez o que”. Ela quer apenas justiça e que os responsáveis sejam punidos e foi categórica ao afirmar que os motivos da crueldade foram ciúmes e inveja. “Espero pena máxima. Apesar de estar procurando ajuda, não consigo perdoar o que fizeram. Parece um pesadelo”, disse a comerciante.
Enquanto tenta recomeçar, conta com o apoio da família, dos amigos e do grupo Mães de Amor, voltado para mulheres que, assim como Tânia, perderam seus filhos. Porém, a caminhada tem sido difícil. “Eles me mataram em vida. A Núbia era só amor e faz falta para muita gente. O que está me ajudando é saber que ela sempre foi muito amada por muita gente. Era humilde, alegre e não gostava de tristeza.”
Trio segue preso enquanto tenta escapar de júri popular
Apesar das provas que a Polícia Civil encontrou no decorrer da investigação, até hoje os três acusados não confirmam a real participação de cada um no brutal homicídio. Tanto nas oitivas quanto na audiência realizada no Fórum, em março deste ano, um jogou a responsabilidade no outro.
Lauany Viodres, que está presa na Penitenciária de Mogi Guaçu, deu três versões diferentes da história. Na mais recente, em audiência, atribuiu o crime ao namorado, Leonardo Cantieri. Disse que ouviu e viu Núbia implorar por ajuda enquanto ele a golpeava na cabeça e matava a jovem.
Leonardo, por sua vez, também mudou a história pelo menos três vezes. Segundo o jovem, que seria o “pivô” do crime, já que tinha relacionamento com Lauany e também se envolveu com Núbia, a namorada deu a facada no rosto da vítima, que ficou desacordada. Teria sido aí, de acordo com Leonardo, que o terceiro envolvido, Italo Neves, entrou em cena para “dar um jeito” e supostamente socorrer a jovem.
Já Italo, único que manteve a mesma versão quando teve a oportunidade de ser ouvido, negou ter matado Núbia. Disse que foi responsável apenas por abandonar o veículo da vítima na rodovia Nelson Nogueira.
Essas versões não convenceram o Ministério Público, que denunciou o trio à Justiça. Para o promotor Odilon Nery Comodaro, Leonardo atraiu a vítima para a morte; Lauany deu a facada no rosto e Italo matou Núbia.
Os três são réus em uma ação de homicídio duplamente qualificado e ocultação de cadáver. Apesar da decisão da Vara do Júri e Execuções para os acusados irem a júri popular, suas defesas estão recorrendo e esperam evitar que isso aconteça.
Crime chocou e revoltou os francanos
Núbia Ribeiro tinha 21 anos e, como de costume, combinou com uma amiga de saírem no domingo. Elas iam até um pub, mas, de última hora, desistiram. Foi nesse momento, no dia 24 de setembro de 2017, que as coisas mudaram completamente .
Após se despedir da amiga, a comerciante foi até o McDonald’s, pegou um lanche e foi de encontro a Leonardo Cantieri. Não demorou para que se encontrassem em um ponto da rua Francisco Marques e, depois, fossem até o apartamento onde Leonardo morava com Lauany Viodres. Naquele momento, Núbia não sabia o que estava acontecendo. Até o abandono de seu corpo na estrada da Seval, em Patrocínio, com um ferimento profundo na cabeça e parte de seu corpo queimado, há versões diferentes do casal e também do terceiro envolvido no crime, Italo Neves, 33.
Apesar das dúvidas acerca de suas respectivas responsabilidades no assassinato, há uma certeza: a população se revoltou com a frieza dos acusados. Tanto é que, quando Leonardo e Lauany foram prestar depoimento na DIG, centenas de populares se reuniram na porta da delegacia para vociferar contra o casal. A revolta foi tamanha que a Polícia Civil precisou fazer uma verdadeira operação para evitar a violência contra os acusados.
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