Uma das notícias mais comentadas na semana passada e que vem movimentando o meio médico na cidade foi o anúncio feito pelo Hospital Regional de Franca de que está em negociações com o grupo São Francisco, de Ribeirão Preto. A proposta de compra foi apresentada aos sócios do Regional na noite da última segunda-feira e aprovada pela maioria dos presentes.
Mas o martelo ainda não foi batido. Existem pontos que estão sendo discutidos entre os dois envolvidos e, como a aprovação não foi unânime, as conversas com os sócios também continuam.
Na entrevista que deu na última sexta-feira, o presidente do Regional, o médico Chafi Facuri, falou sobre como está a negociação e esclareceu algumas das principais dúvidas dos mais de 40 mil usuários dos planos de saúde do Regional na cidade.
Facuri acredita que, se o negócio for concretizado, os usuários serão os principais beneficiados com mais investimentos e modernização.
Como nasceram as conversas sobre a venda do Regional para o São Francisco?
Nós já temos um longo relacionamento. Somos parceiros em muitos serviços e sempre mantivemos uma excelente relação. Nos últimos anos, o São Francisco decidiu investir pesado na expansão de sua rede de atendimento. E o Regional, por conta dos bons resultados financeiros, chamou a atenção. Eles nos procuraram e se mostraram interessados em conhecer um pouco mais do hospital. A partir de então, nossas conversas foram evoluindo até que chegamos no ponto que estamos agora.
E hoje em que ponto estão as negociações? O que falta para que a venda do Regional seja concretizada?
Ainda estamos negociando e tudo tem corrido muito bem. A proposta, que não posso revelar os termos nem os valores ainda, tem sido bem aceita. Neste momento, estamos apresentando os detalhes para os sócios que não estiveram na reunião realizada na última segunda-feira. Nossa intenção é que todos os acionistas sejam ouvidos e tenham suas dúvidas esclarecidas e respondidas. Estamos trabalhando com total respeito e transparência. Sem atropelos. Sem pressa. Existem agora procedimentos burocráticos que estão sendo feitos pelos departamentos jurídicos de ambas as empresas, inclusive junto aos órgãos reguladores, como a ANS (Agência Nacional de Saúde) e o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). Este tipo de negócio é muito complicado e tem muitas etapas e exigências a serem atendidas.
Quanto tempo deve levar ainda a negociação? Tem algum ponto específico que ainda não tenha chegado a um acordo?
Provavelmente uns três meses, na verdade esse tempo é comum para esse tipo de transação. Mas depois ainda teremos os trâmites junto aos órgãos reguladores, que não temos como precisar o tempo que levarão para analisar os termos da venda. Quanto a ter alguma discordância, não temos nada. É só mesmo o processo burocrático que precisa ser respeitado e é um pouco demorado. Mas como disse anteriormente, as negociações caminham bem e dentro do esperado.
Se a venda for aceita pelos órgãos reguladores, o que muda para os usuários? E para os funcionários?
Não haverá mudanças para os usuários, o hospital continuará funcionando normalmente, com a mesma qualidade e dedicação. Mesmo agora que estamos neste processo de negociações. Não haverá mudanças. Nosso objetivo é e sempre será garantir a excelência nos atendimentos a nossos clientes. Quanto aos nossos colaboradores todos podem ficar tranquilos que continuam na empresa. São eles, principalmente, que dão vida à instituição e traduzem todo nosso acolhimento ao longo destes mais 50 anos de história. O Regional é um hospital de excelência, justamente, porque tem profissionais dedicados e empenhados em atender nossos usuários da melhor forma possível. Esse é nosso maior valor.
O corpo clínico será mantido? Mesmo os médicos que não votaram a favor da venda vão continuar atendendo?
O corpo clínico será mantido como está hoje. Temos excelentes médicos, conceituados e que, acima de qualquer coisa, atendem com amor aos pacientes, qualquer empresa sabe reconhecer a dedicação de uma instituição que foi pelos três últimos anos a melhor operadora de saúde da cidade. Nosso corpo clínico, assim como nossos colaboradores, é parte fundamental do sucesso de nossa empresa, não só por acreditarem no negócio, mas principalmente pelo acolhimento aos nossos beneficiários.
Um dos diferenciais do Regional é justamente o atendimento mais humanizado. Como ficará esse atendimento com um grupo tão maior como o São Francisco?
Quem faz essa humanização são nossos colaboradores. Isso não muda, manteremos o carinho e acolhimento a cada atendimento. Esse é o nosso compromisso. Estamos todos tranquilos e contentes de fazer com que nossa empresa cresça ainda mais. A tendência é só melhorar, principalmente no âmbito de investimentos em infraestrutura, o que possibilita um atendimento ainda melhor ao nosso beneficiário.
Haverá aumento nos valores dos planos?
Os planos continuam com os valores de mercado.
Haverá aumento na oferta de serviços, como tipo de exames e especialidades médicas?
Se efetivada a negociação, o que ainda não temos como saber, o São Francisco irá avaliar toda a operação e por ventura todas as necessidades de investimentos e melhorias. Será feito um planejamento que estudará as demandas e só então será definida a instalação de novos serviços. Ainda é muito cedo para ter uma resposta a respeito.
O hospital vai passar por alguma reforma?
É importante dizer que o Regional vem investindo há bastante tempo. Sabemos que tudo no âmbito da saúde tem um custo muito elevado, por isso os projetos estão acontecendo de maneira planejada e, com certeza, continuarão sendo realizados e concluídos. Por exemplo, há dois meses inauguramos uma nova recepção da internação, acabamos de receber um novo microscópio, um novo arco cirúrgico e muito em breve será inaugurado o novo prédio da Medicina Preventiva. Ou seja, continuaremos melhorando nossa estrutura, independentemente de qualquer coisa e de qualquer negociação.
Com a venda, o que os usuários ganham? E o que perdem?
O Grupo São Francisco é a quarta maior empresa de medicina de grupo do País, com mais de 1,4 milhão de vidas, ou seja, possuem uma expertise muito grande no mercado de saúde, querem investir na nossa região e melhorar ainda mais nossa capacidade de atendimento, isso só traz benefícios para todos os usuários. Os clientes do Regional só terão a ganhar caso a venda seja concretizada.
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