Novos dados divulgados nessa sexta-feira demonstram os impactos tenebrosos da crise econômica e da guerra fiscal sobre a indústria de Franca. O mercado de trabalho francano fechou o mês de agosto com 766 postos de emprego com carteira assinada fechados - 739 deles apenas no setor industrial. São quatro meses seguidos em que Franca demite trabalhadores e não contrata ninguém para o lugar, extirpando a vaga de emprego. De maio até o mês passado, já foram fechados 1.769 postos de trabalho na cidade. Os números refletem o drama vivido por muitas famílias francanas, que lutam diariamente contra o desemprego. Os dados são do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgados nessa sexta-feira, pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
O número de vagas perdidas em agosto é mais que o dobro dos postos eliminados em julho, quando 305 colocações deixaram de existir. Em junho, o saldo entre admissões e demissões também foi negativo na cidade, com 604 vagas a menos. Em maio, Franca o mesmo cenário: 94 postos fechados. No acumulado do ano, influenciado pelas contratações do primeiro bimestre, o saldo ainda é positivo - 4.357. Mas o cenário não é nem um pouco animador, já que no acumulado dos últimos 12 meses, que engloba as tradicionais demissões de final de ano, o saldo é de 1.228 vagas de emprego fechadas. Em agosto, indústria e agricultura foram os setores que mais fecharam postos, com 739 e 266 vagas a menos, respectivamente. Comércio, com 169 postos, e serviços, 88, lideraram a abertura no mês passado.
Além das consequências do retrocesso econômico nacional, que insistem em não se aplacarem, Franca ainda enfrenta a guerra fiscal. Com incentivos, cidades de outros Estados assediam fábricas instaladas na ameaçada Capital do Sapato. Em muitos casos, o cortejo é exitoso e, mais uma vez, quem acaba prejudicado é o trabalhador francano. Fábricas se vão, o desemprego fica. Para vencer essa guerra, políticas estaduais são primordiais. Mas é a partir de Franca que a solução pode começar a ser tomada. O primeiro passo foi dado nesta semana, na Câmara Municipal. Vereadores criaram uma frente parlamentar. Estudarão a fundo a questão, ouvirão o setor, traçarão meios de a cidade contra-atacar. Juntas e com um plano em mãos, as forças políticas e econômicas locais terão mais voz e possibilidades de êxito, na pressão sobre legisladores e governantes estaduais e federais.
Sozinha, Franca não é capaz de virar esse quadro. Mas, calada, a cidade estaria fadada a assistir inerte à fuga de suas empresas. Juntos, indústria, entidades, Câmara e Prefeitura devem buscar uma saída para estancar o fechamento de postos de trabalho na cidade. Para amenizar o sofrimento de quem enfrenta o desemprego.
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