O modelo de democracia do Brasil, baseada no presidencialismo de coalizão, pressupõe que o mandatário do Executivo não governo sozinho. Para que seus projetos sejam concretizados, o chefe da Nação depende do aval do Congresso Nacional. Sem o apoio da maioria dos deputados federais e dos senadores da República, o presidente fica praticamente impossibilitado de governar. Quando a base governista fica reduzida a menos de um terço das casas legislativas, a permanência no poder se torna insustentável. A história recente do Brasil já deu duas provas disso. Desde a redemocratização, Fernando Collor de Mello e Dilma Rousseff, num intervalo de tempo de 20 e poucos anos, viram suas popularidades minarem, assim como o apoio de deputados e senadores. A consequência foi o impeachment de ambos. Collor foi tirado do poder pelos congressistas em 1992, Dilma, há dois anos. A mesma lógica federal, se repete nas esferas estadual - com governadores e deputados estaduais ou distritais - e municipal - com prefeitos e vereadores. Mas os eleitores dão mostras de que não estão preocupados em oferecer condições mínimas para seus escolhidos governarem. Pelo menos é o que mostram as pesquisas de intenção de voto das eleições do próximo dia 7 de outubro.
São Paulo e Minas Gerais - para ficar apenas nos domínios de Franca - são exemplos claros de como os eleitores escolhem seus candidatos pela pessoa e não pelo partido. Ideologia nem deve ser levada em consideração, porque esse quesito, nem mesmos os políticos e suas siglas respeitam. Jair Bolsonaro (PSL), de acordo com os últimos levantamentos, é o preferido dos eleitores paulistas para a Presidência da República. Para o Senado Federal, o líder das pesquisas é o petista Eduardo Suplicy. Os eleitores de São Paulo vão de um extremo a outro, na composição do governo federal. Em Minas, a mesma contradição se repete. Bolsonaro também lidera os estudos em terras mineiras. E Dilma Rousseff, do PT, é a preferida para o Senado. E não bastasse a discrepância para cargos em Brasília, paulistas e mineiros preferem para governador candidatos que não apoiam Bolsonaro nem, muito menos, os petistas. Em São Paulo, a liderança é dividida entre Paulo Skaf (MDB) e João Doria (PSDB). Já em Minas, Antonio Anastasia (PSDB) é líder, na frente de Fernando Pimentel, que disputa a reeleição pelo PT de Dilma.
O que acontecem em dois dos principais Estados do Brasil - a se confirmarem as pesquisas de intenção de voto - é reflexo da descrença com a classe política nacional. A falta de identidade partidária é comum entre os brasileiros, que preferem dizer que “não gostam de política”. Mas nestas eleições, ela é ainda mais latente e pode ter consequências já no próximo ano, com novos desgovernos no Planalto Central e pelos Estados brasileiros.
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