Debate reúne candidatos ao Senado por SP


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Homenagens ao ex-presidente Lula e gritos de "Ele não", em referência ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), interromperam sucessivas vezes o debate de propostas entre candidatos ao Senado por São Paulo, na noite desta terça-feira (18), na Faculdade de Direito do Largo São Francisco.

Nivaldo Orlandi (PCO) usou seu tempo de apresentação para pedir Lula candidato. Eduardo Suplicy (PT) fez votos de que o ex-presidente seja considerado inocente na Justiça. Silvia Ferraro (PSOL) classificou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff como golpe e gritou pela derrota do "Coiso", referindo-se a Bolsonaro.

Questões polêmicas como aborto e descriminalização de drogas tiveram relativo consenso durante o debate do qual também participaram Antônio Neto (PDT), Cidinha (MDB), Diogo da Luz (Novo), Moira Lázaro (Rede) e Mancha (PSTU).

No caso do aborto, a candidata Silvia Ferraro foi longamente aplaudida pela plateia ao demonstrar mais assertividade do que os outros candidatos quando disse ser favorável à causa. Mancha replicou o posicionamento da adversária. Suplicy prolongou-se no tema dizendo achar importante que uma mulher violentada ou que corra risco de vida tenha direito ao aborto, mas ele só pediu "mais flexibilidade" à legislação já existente quando o seu tempo para resposta já estava esgotado. Sem se posicionar, Diogo da Luz preferiu dizer que "a decisão é da sociedade".

Demonstrando desconhecer seus adversários, Silvia Ferraro perguntou quem era Nivaldo, que considerou ser inviável discutir qualquer plano de governo "sem antes derrotar o golpe". O candidato do PCO abriu mão de diversas chances que teve de manifestar suas propostas para insistir no assunto golpe. Em uma troca de perguntas com o candidato que acabara de conhecer, Silvia Ferraro disse que sua proposta é expropriar as terras improdutivas e avançar com o MST em uma reforma agrária.

Quando o assunto foi a taxação de grandes fortunas, Antonio Neto, Nivaldo e quase todos os outros participantes avaliaram que se cobre mais de quem tem renda maior, sem, no entanto, detalhar estratégias. Mancha sugeriu taxação de dividendos. Suplicy falou em progressividade para pessoas que tenham maior rendimento. A exceção foi Diogo da Luz. Para ele, "taxar fortuna não vai resolver o problema do pobre". Ele sugeriu como alternativa a readequação de impostos sobre o consumo.

No tema privatização, Mancha se posicionou contrário e citou como exemplo a venda da operação de jatos comerciais da Embraer para a Boeing, em uma sugestão que pareceu ser a estatização da fabricante de jatos brasileira. Sempre introduzindo a palavra golpe em suas respostas, Nivaldo se disse favorável à estatização total dos serviços de saúde.

Quando o assunto foi drogas, Antônio Neto disse que se trata de uma questão de saúde pública. Cidinha preferiu atribuir a solução do problema das drogas à educação e se posicionou favorável apenas à liberação da maconha para uso medicinal. Suplicy considerou necessário haver projetos para descriminalizar as drogas, de modo a combater a superlotação no sistema prisional. Moira, Ferraro e Mancha foram mais diretos na defesa da descriminalização do uso recreativo. Da Luz preferiu descentralizar a decisão transferindo-a para que estados e municípios deixem que a sociedade escolha.

Bolsonaro voltou a ser lembrado, e citado por Antonio Neto como o "Coiso" quando o assunto foi desarmamento. Neto se posicionou contrário às armas e foi seguido por Cidinha, que sugeriu a educação para evitar violência. Da Luz avaliou como uma "bobagem" a ideia de que armar a população eleva a segurança. Moira disse que sua candidatura é "da paz". Ferraro e Mancha seguiram na mesma linha.

O debate teve algumas provocações entre os candidatos. Mancha afirmou que Cidinha parece ser bem intencionada mas pertence ao MDB, partido do presidente Michel Temer. Ela respondeu que Temer não é candidato a nada e pediu que o adversário restringisse suas menções a ela própria.

Sem apresentar provas nem qualquer embasamento, Nivaldo acusou Diogo da Luz de ser sonegador. O candidato do partido Novo conseguiu direito de resposta. Ele foi o único que usou o microfone para se oferecer para ficar por mais tempo no local discutindo as propostas porque o evento começou com 40 minutos de atraso. Suplicy precisou sair antes do fim porque tinha outro compromisso.

Segundo o Ibope, Suplicy é o líder nas pesquisas de intenção de votos para o Senado em São Paulo, com 31%. Os outros candidatos que aparecem em seguida nas pesquisas não participaram do evento, como Mário Covas (Podemos), com 19%, Major Olímpio (PSL), com 11%, e Mara Gabrilli (PSDB), com 9%.

 

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