O quadro eleitoral de 2018 caminha para uma definição após meses de uma nebulosidade que dominava a corrida para o Planalto. A eleição presidencial, sinalizam as pesquisas de intenção de voto, segue para uma polarização entre direita e esquerda, inédita nas últimas duas décadas. A liderança de Jair Bolsonaro (PSL) se consolida a cada novo levantamento divulgado. Assim como a evolução constante de Fernando Haddad (PT), que já aparece isolado em segundo lugar nos mais recentes estudos. A se confirmar essa tendência, os brasileiros terão no segundo turno uma disputa entre extremos, consolidando a divisão que marca o cenário político nacional nos últimos anos, que teve seu ponto alto no impeachment da petista Dilma Rousseff, em 2016, e culminará na vitória do petismo ou do antipetismo.
Desde 1994, a disputa pela presidência da República foi protagonizada pelo PSDB e PT. Há 24 anos, o tucano Fernando Henrique Cardoso foi eleito ainda no primeiro turno, com 55,22% dos votos contra 39,97% do petista Luiz Inácio Lula da Silva. Quatro anos depois, os mesmos personagens e mais uma vitória de FHC no primeiro turno: 53,06% contra 31,71% de Lula. Em 2002, o petista, enfim, venceu peleja que travava desde 1989. Derrotou José Serra no segundo turno, com 61,27% contra 38,72%. Geraldo Alckmin foi superado, também no segundo turno, em 2006, quando Lula foi reeleito, com 60,82% dos votos válidos, contra 39,17% do tucano. Já em 2010, a candidata petista foi Dilma Rousseff, que venceu José Serra com 56,05% contra 43,95%. Dilma foi reeleita há quatro anos, ao derrotar Aécio Neves, na mais acirrada disputa entre PSDB e PT: 51,64% contra 48,36%, também no segundo turno.
O resultado das eleições de 2014 já refletia a polarização brasileira, patrocinada pelos próprios petistas. Lula dividiu o Brasil com o discurso do “Nós contra eles”. A diferença agora é que as mensagens de divisão, chegando ao extremo do ódio, criaram um terreno fértil para a proliferação de ideias de extrema direita e a figura de Bolsonaro ganhou destaque e fama, principalmente, após a votação do impeachment de Dilma, ao dedicar seu voto pela abertura do processo contra a petista ao líder das torturas na ditadura militar. O deputado federal pelo Rio de Janeiro, militar reformado, ganhou projeção, lançou-se candidato e se vê com chances reais de vitória. Do lado oposto está o esquerdista Haddad, que assumiu a condição de candidato há uma semana, após Lula - preso - ser proibido de disputar a Presidência pela Justiça Eleitoral. O centro, representado nas últimas décadas pelo PSDB, aparentemente está fora da disputa.
O PT, cujos governos foram manchados por escândalos de corrupção, comemora o desempenho de Haddad e já vislumbra uma nova temporada no poder. Para isso, terá de derrotar suas próprias máculas e o tal “mito”, alimentado pelo próprio partido. Desorientado, o eleitor levou a disputa para os extremos.
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