Se a economia e a política vão mal, as condições de vida da população não avança. O Brasil é exemplo claro de como o povo depende diretamente das políticas públicas, sejam sociais ou econômicas. A renda, educação e saúde brasileira estão estagnadas desde 2015. O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), que avalia essas três áreas, foi de 0,759 no Brasil, em 2017. Em relação a 2016, subiu apenas 0,001. Estatisticamente, o crescimento é insignificante. Essa insignificância reflete a falta de preocupação de grande parte dos governantes brasileiros, nos últimos anos, com a qualidade de vida da população. Estão mais preocupados em se manter no poder e se defender da Justiça, após constantes e intermináveis escândalos de corrupção. No ranking mundial, o Brasil se mantém há três anos na 79º posição, entre 189 países, atrás, inclusive, da Venezuela, mergulhada em uma crise - também econômica e política - sem precedentes, e que vem apresentando queda significativa no índice desde 2013.
O relatório mundial, elaborado pelo Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), foi divulgado ontem, com a Noruega no primeiro lugar, com 0,953, numa escala que varia de 0 a 1 - quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento humano. Entre 1990 e 2017, o crescimento do índice brasileiro foi de 24,3%. Por ano, cresceu cerca de 0,8%. Nesse mesmo período, o país alcançou resultados importantes: aumentou a expectativa de vida em 10,4 anos, a expectativa e a média de estudo em 3,2 e 4 anos, respectivamente, e a renda nacional bruta em 28,6%. Na América do Sul, o Brasil é o quinto em IDH. Perde para Chile, Argentina, Uruguai e a combalida Venezuela. Ainda assim, está levemente acima da média da América Latina e Caribe, de 0,758.
Quando o índice é ajustado às desigualdades, contudo, a situação do Brasil é ainda pior: perde 23,9% da nota, saindo de 0,759 para 0,578. No ranking do coeficiente de Gini, que mede as desigualdades sociais de um país, o Brasil é o 9º pior do mundo, com 51,3. Em termos de desigualdade de gênero, os brasileiros estão na 94º colocação, entre 160 nações. O cálculo leva em conta saúde reprodutiva, empoderamento e mercado de trabalho. A nota do país é 0,407. Outro cálculo, que avalia o desenvolvimento por gênero, mostra a diferença entre o IDH e de homens e mulheres: 0,761 para eles e 0,755 para elas. As diferenças são justificadas principalmente pela diferença de renda. Apesar de terem um desempenho melhor em educação e expectativa de vida, a renda das mulheres, segundo os critérios adotados, é 42,7% menor que a masculina. De acordo com o relatório, o Níger, que tem o menor IDH do mundo, tem mais assentos femininos no Parlamento que o Brasil: 17% contra os nossos 11,3%.
Há muito a avançar, principalmente, no combate às desigualdades e na educação. O IDH de 2017 mostra apenas uma triste realidade: o Brasil só não piorou, porque, apesar de significativa evolução nas últimas décadas, sempre foi mediano.
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