A delegada Graciela, candidata a deputada estadual pelo PR, foi sabatinada pela rádio Difusora ontem. Ela abriu a entrevista fazendo duras críticas às lideranças políticas da cidade que estão assistindo, segundo ela, passivamente outros Estados virem a Franca assediar as empresas calçadistas. Graciela também prometeu priorizar a segurança pública e apoiar medidas para conter a violência contra as mulheres.
Por que devo ser a escolhida?
“O jornal Comércio da Franca publicou hoje que comitiva do Ceará está vindo a Franca em busca de fábricas de calçados. Nossas fábricas estão indo embora e ninguém está fazendo nada. Não vi as nossas lideranças se moverem. Os eleitores precisam saber disso. Só falta servirem pão de queijo e café para este pessoal de outros Estados que vem aqui buscar nossas empresas. Tenho visto o desespero dos trabalhadores de Franca. Temos que lutar para que não levem nossas empresas embora. Quero muito contribuir para a melhoria de vida das pessoas.”
Quatro mulheres candidatas
“Há espaço para todas e faz parte do processo democrático. Cada um tem seu público e suas prioridades. O que me diferencia são os 32 anos de serviços prestados em Franca como delegada de polícia e vereadora por três mandatos.”
Faltou sorte
“Nas duas últimas eleições, eu fui a mais votada em Franca. O problema foi a linha de corte do partido, que era muito alta. Fiquei na primeira suplência e não consegui assumir. Ninguém se afastou, nem o Paulo Maluf (chegou a ser preso e cassado posteriormente).”
Estratégia
“Eu decidi me filiar ao PR por vários fatores. A direção me convidou para ser a coordenadora do partido na região e me deu condições de fazer uma boa campanha. O principal motivo foi a linha de corte, que é mais baixa. Nas últimas eleições, o PR conseguiu eleger deputado com 43 mil votos. Estou trabalhando muito para ficar entre os mais votados do partido.”
Distância de Brasília
“Depois de disputar duas eleições para deputado federal, achei que o momento era mais propício para me candidatar a deputado estadual. O momento atual do Congresso é complicado e só se fala em Lava Jato. Eu não gostaria de estar lá neste momento, não. Na Assembleia Legislativa, estarei mais perto de Franca e região, e terei condições de viabilizar com mais rapidez as reivindicações da sociedade.”
Reforço na DDM
“Vou trabalhar para oferecer melhor estrutura à Delegacia de Defesa da Mulher. Temos poucos funcionários para atender Franca e cidades da região. Com as condições atuais, é humanamente impossível dar o atendimento que a mulher merece. O governo precisar abrir concurso para aumentar o efetivos das polícias. Falta gente para fazer a prevenção e investigar os crimes.”
Cultura machista
“A violência contra a mulher precisa ser combatida com rigor. A violência está atrelada à cultura machista. Um exemplo claro disso foi a entrevista do candidato Gerson. Ele deu uma declaração discriminatória e imbecil. Ele tratou um crime tão grave e hediondo, como é o estupro, e a violência contra a mulher, como se a culpada fosse a vítima. É muito triste a gente ainda ter que ouvir este tipo de coisa, mas é com isso que nos deparamos na delegacia todos os dias. Infelizmente, existe uma cultura machista em todos os lugares.”
Compromisso
“Já fiquei fora da disputa para prefeito há dois anos, para me preparar para ser deputada. Se eu for eleita, cumprirei o mandato até o final na Assembleia Legislativa.”
Pianinhos
“Eu nunca sofri nenhum tipo de ameaça. Os homens sabem que sou rigorosa e que não brinco. É bom que tenho a fama de durona. Se for preciso, eu falo grosso e tomo providências. Quando os agressores chegam perto de mim na delegacia, eles ficam pianinhos, ficam bem mansos.”
Lei Maria da Penha
“A Lei Maria da Penha foi um grande avanço e é considerada a terceira melhor lei do mundo de proteção da mulher. É preciso que ela seja implementada na sua integralidade, com a adoção de políticas públicas de conscientização e educação. Como exemplo, tivemos muitas dificuldades para implementar as medidas protetivas e para definir como seriam punidas as pessoas que desrespeitassem a distância mínima estabelecida pela Justiça.”
De Franca para o Estado
“Achei muito interessantes dois projetos que serão votados pela Câmara Municipal que visam a proteção da mulher, que são a Patrulha Maria da Penha e o Botão do Pânico. Estas propostas fazem parte das políticas públicas e eu espero que sejam aprovadas. Se eleita, vou ajudar com liberação de emendas. Minha intenção é ampliar estes projetos para todo o Estado.”
Bumbum na cadeira
“As empresas estão indo embora e os trabalhadores estão desesperados. A maior atividade econômica da cidade é o calçado e não podemos deixar a nossa indústria acabar. Se o calçado morrer, morre também toda uma cadeia produtiva que gira no entorno. Está morrendo porque até agora ninguém fez nada. A cidade não acordou. Nossas lideranças ficam sentadas com o bumbum na cadeira parecendo uma árvore e não tomam providências. É preciso se movimentar e correr atrás. Pretendo criar uma frente parlamentar de deputados para discutir as reivindicações pontuais do setor calçadista e, juntos, buscar alternativas. Uma das propostas é igualar o ICMS do lojista com o da indústria, pois houve um desequilíbrio.”
Mensagem final
“Não deixem de votar. O poder do voto é grandioso. O eleitor pode, com o voto, manter ou tirar os corruptos que estão no poder. Precisamos renovar e tirar este pessoal que está roubando o povo e corrompendo. Para isso, é preciso ir às urnas e votar. Quero muito contribuir para a melhoria de vida das pessoas e pretendo fazer a diferença. Sou ficha limpa, nunca fiz conchavos e prezo pela ética na política. Peço seu voto, sou a delegada Graciela e meu número é 22 888.”
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