FERNANDA PEREIRA NEVESSÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O controverso jornalismo que alia o trágico e o engraçado perdia um de seus alicerces há um ano. Era 16 de setembro de 2017 quando Marcelo Rezende morreu, aos 65, em decorrência de um câncer no pâncreas.
À frente do "Cidade Alerta" (Record), o carioca, que começou no jornalismo com 17 anos, no extinto "Jornal dos Sports", foi um dos expoentes de uma vertente bastante peculiar do telejornalismo brasileiro, que mistura doses de sensacionalismo, entretenimento e crítica social.
Para o jornalista Geraldo Luís, 47 anos, sua popularidade é resultado da ousadia e do talento de criação do amigo, que teve duas passagens pelo programa, de 2004 a 2005 e de 2012 a 2017. "Detestava quem não tinha motivação para inovar."
Já o filho, Diego Esteves, 36 anos, diz que o programa era a oportunidade de o pai ser ele mesmo. "Acordava cedo, sempre na correria, no ritmo dele. Era um "corta pra mim" o dia inteiro", brinca, citando o bordão do pai.
Ao tirar o terno, Marcelo se desarmava. Encontrava a calma, ficava reflexivo, mostrava doçura no tom da voz. Cercava-se de livros.
Teve cinco filhos, hoje espalhados pelo mundo. A última vez em que reuniu todos foi em dezembro de 2015. Morando sozinho, chegou a confessar ao amigo Geraldo Luís que não tinha ânimo para dividir casa com uma mulher. Dizia que o tempo levou sua paciência.
Além do jornalismo, tinha como amigos constantes os livros e os vinhos. O câncer, descoberto seis meses antes de sua morte, deixou Rezende ainda mais recluso. Chegou a anunciar que buscaria uma "cura espiritual".
Por conta do aniversário de morte do jornalista, a Record exibe o especial "As Grandes Entrevistas de Marcelo Rezende". O último episódio vai ao ar hoje, mostrando mais da vida pessoal do apresentador, com participação de seu filho e de seu irmão adotivo, José. "Foi um reencontro com meu pai a partir das pessoas que trabalharam com ele. Todos que estavam lá tinham trabalhado com ele", diz o filho, que veio de Buenos Aires para o programa. A primeira visita ao Brasil desde a morte do pai: "Ficou um vazio".
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