Uma ambígua realidade


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Praticamente dobrou o número de idosos trabalhando com carteira assinada em Franca, entre os anos de 2006 e 2016. Os dados foram publicados por este Comércio, na edição do último domingo, com base na Rais (Relação Anual de Informações Sociais), do Ministério do Público. Os índices apontam para duas faces de uma mesma realidade. Há neles, motivos para comemorar e também para lamentar. O que os números mostram são uma realidade vivida por milhares de francanos há anos, mas que só agora aparecem nas estatísticas oficiais. Não é de hoje que a expectativa de vida dos brasileiros vem aumentando ano após ano. Assim como também não é novidade que o desemprego de membros da família, o alto custo de vida e a corrosão do poder de compra da população forçam a todos a tentar uma nova fonte de renda. Seja por necessidade do corpo e da alma ou por carência do bolso, francanos com mais 60 anos de idades estão se lançando no mercado formal de trabalho e 30% da população do município nesta faixa etária deixou a aposentadoria de lado em busca de mais qualidade de vida e/ou renda.
 
Os dados da Rais são fornecidos pelos próprios empregadores ao Ministério do Trabalho. Os números mais recentes disponíveis são referentes a 2016. Há dois anos, Franca possuía 13.812 trabalhadores na ativa com 60 anos ou mais. Em 2006, o número era de 7.329 pessoas. O salto, em uma década, foi de 89%. A população da cidade nesta faixa etária passou de 31.098 para 45.740, no mesmo período em comparação. A parcela de idosos trabalhando avançou de 23,5% para 30%.
 
Com o aumento da qualidade de vida no País, os brasileiros estão vivendo mais e - via de regra - melhor. Os “velhinhos” de outrora são hoje membros ativos e geradores de riqueza na sociedade. Muitos, com a experiência a seu favor, voltam ou permanecem no mercado, para manter o corpo e a mente ocupados. Outros, que também são muitos, se veem obrigados a trabalhar, por terem suas aposentadorias corroídas pelo aumento no custo de vida e não serem mais suficientes para arcar com as despesas, principalmente na área de saúde, tão altas nesta faixa etária. O cenário ainda se agrava com a crise econômica. O desemprego hoje ronda todos os lares brasileiros. O aposentado, muitas vezes, é o arrimo de famílias. E com integrantes do lar sem emprego, com a renda da casa abaixo das despesas e a baixa remuneração paga pela Previdência Social, trabalhar torna-se a saída.
 
Seja por prazer, seja por necessidade, Franca - assim como todo o país - vive uma realidade que exige novas formas de pensar a sociedade. Uma realidade ambígua que, ao mesmo tempo, expõe os avanços e retrocessos do Brasil.

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